É sério? Guedes pede apoio a funcionalismo para reforma que congela salários e reduz estabilidade

O ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu o apoio do funcionalismo à reforma administrativa, que prevê uma reformulação no RH do Estado, com novas regras para contratar, promover e demitir funcionários públicos. Para ele, esse amparo deve ser dado porque a proposta vai trazer “modernização do serviço público, digitalização, maior produtividade e meritocracia”.

“Inclusive propusemos reforma administrativa onde nós não íamos atingir nenhum direito do funcionalismo público atual, só estávamos criando um filtro justamente para valorizar o funcionalismo atual, não é só fazer concurso público e ganhar estabilidade”, afirmou nesta quarta-feira, 24, na abertura do 1.º Seminário da Corregedoria do Ministério da Economia.

Guedes também citou a “contribuição” dada pelo funcionalismo público à “melhoria” das finanças públicas a partir da suspensão do reajuste do salário desses funcionários. “Tenho muito orgulho desse grupo, não acreditem nas versões editadas do que eu falo”, disse o ministro. “As narrativas são sempre desfavoráveis, mas nós sabemos do trabalho que fazemos.”

© Dida Sampaio/Estadão – 23/11/21 O ministro da Economia, Paulo Guedes; críticas ao modelo intervencionista de governo.

Ele elogiou a equipe do Ministério da Economia e disse que, inclusive, “toda hora” está “perdendo gente boa” que é ou buscada pelo mercado ou por unidades internas do governo. O ministro citou, por exemplo, o caso do ex-secretário do Tesouro Mansueto Almeida, que saiu do ministério e hoje é economista-chefe do BTG.

Guedes ainda relembrou do início do governo Bolsonaro, com a integração das pastas que se tornaram o Ministério da Economia. “Montando sempre em duplas. Trazia alguém de fora, pra trazer inovações, mas sempre com alguém ao lado que pudesse preservar o core, as boas práticas internas do ministério (…) Tenho enorme orgulho de todos vocês, o que conseguimos fazer foi: integramos cinco ministérios que gastavam R$ 15 bilhões ano, transformamos num ministério, que gasta R$ 10 bilhões, nenhum outro desafio institucional e administrativo dessa magnitude foi lançado para os outros ministérios”, afirmou.

Lucro ‘até excessivo’ na produção de petróleo

Durante o evento, o ministro disse ainda que o papel do governo é “cuidar da população” e não focar em outras questões como buscar lucro “até excessivo” com a produção de petróleo no Brasil, mercado que é dominado pela Petrobras. “Estamos aqui para cuidar da população e não tentar fazer chapa de aço com prejuízo, petróleo com lucro, que às vezes até o mercado, todo mundo reclama, que é até excessivo, exatamente pela concentração e verticalização do mercado.”