MF SAO BERNARDO DO CAMPO/SP - 25/05/2016 - EMBARGADO / PÁTIO / FORD - ECONOMIA - Pátio de caminhões e caminhonetes novas, da montadora Ford, em São Bernardo do Campo. FOTO: MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO

Doria acata fechamento da Ford em S. Bernardo e diz que estado tentará vender unidade

O governo de São Paulo tentará ajudar a Ford a encontrar um comprador para sua fábrica em São Bernardo do Campo e manter a unidade funcionando. O governador João Doria contou a novidade à imprensa em entrevista coletiva, após uma reunião com representantes da empresa.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, Wagner Santana, não foi convidado para a reunião.

“Ficamos sabendo através da imprensa que ocorrerá às 10h uma reunião com o governador, o presidente da empresa e também o prefeito da cidade. Solicitamos que a gente pudesse, como trabalhadores — os mais afetados por essa decisão –, participar dessa reunião. Recebemos o retorno do gabinete do governador dizendo que eles não nos queriam nessa reunião”, disse o sindicalista.

A montadora anunciou na terça-feira (19) que fecharia sua planta em São Bernardo, onde trabalham cerca de 2 mil pessoas.

Estiveram na entrevista, além de Doria, o secretário da Fazenda, Henrique Meirelles, e o prefeito de São Bernardo, o também tucano Orlando Morando. Nenhum deles foi taxativo ao explicar como o governo do Estado poderia ajudar na venda da unidade — se, por exemplo, seriam concedidos incentivos fiscais ao comprador. O governador afirmou que o momento econômico do Brasil é mais favorável que no ano passado, e isso facilitaria uma venda. “O governo não pode e nem fará imposições ao comprador”, afirma Doria. O tucano disse que foi ele quem procurou a Ford para conversar. A reunião realizada antes da entrevista também teve a participação do vice-governador e secretário de Governo do Estado, Rodrigo Garcia, e de representantes da empresa, inclusive o CEO para a América do Sul, Lyle Watters.

Meirelles comandará um grupo de trabalho sobre a questão. De acordo com Doria, o prazo para encontrar um comprador é o final de 2019. “Até o fim do ano os empregos estão assegurados”, afirmou Doria. O governador foi enfático ao dizer que a Ford quer fechar ou vender apenas a fábrica, onde são feitos caminhões e o modelo Fiesta. O centro administrativo da montadora também fica em São Bernardo do Campo e não estaria nos planos da montadora fechá-lo. Lá trabalham cerca de 1,2 mil pessoas.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo pediu para participar da reunião do governo com os representantes da Ford, mas não foi autorizado. Doria afirmou que não era o momento oportuno. Diz que a entidade será ouvida daqui para frente. Todos foram pegos de surpresa com o anúncio da Ford, segundo foi dito na coletiva. O prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando afirmou que tem interlocução com a empresa e nunca ouviu da montadora a possibilidade de deixar a cidade. O município arrecada cerca de R$ 18 milhões por ano vindos da Ford. Além dos empregos diretos, cerca de 30 mil pessoas teriam sua ocupação indiretamente ligados à fábrica.

Perguntado sobre como seria a manutenção dos empregos por um eventual comprador, Doria afirmou ser cedo demais para saber. A dúvida da imprensa era se a eventual nova dona da fábrica manteria os funcionários ou se os demitiria e contrataria de novo com as regras mais frouxas da reforma trabalhista aprovada em 2017.

O governo tenta não especular o nome de um possível comprador. Em uma de suas falas sobre o assunto, Meirelles pronunciou o nome da GM, provocando novas perguntas dos jornalistas sobre se seria a montadora americana a provável compradora da fábrica da Ford, mas não deu muita importância ao questionamento. Símbolo da indústria automobilística do Brasil, o ABC Paulista — parte da região metropolitana de São Paulo composta pelas cidades de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano — já havia passado por um susto parecido nas últimas semanas.