Dono da Justiça; “Vou ligar para a PF e pedir para não cumprir”, diz Dallagnol em mensagem sobre ordem de desembargador para soltura de Lula; poder pleno em julho de 2018

Publicado originalmente no site Jota

POR HYNDARA FREITAS

Em 8 de julho de 2018, o desembargador Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), determinou a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que estava preso desde 7 de abril daquele ano, após condenação no caso do tríplex do Guarujá. Mas conversas do Telegram entre procuradores da Lava Jato de Curitiba mostram uma articulação para descumprir a ordem.

Segundo mensagens juntadas pela defesa de Lula na Reclamação (RCL) 43.007, O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da Lava Jato, disse aos colegas: “Vou ligar pra PF pra pedir pra não cumprir”. O coordenador da Lava Jato afirmou que Sergio Moro não poderia mais fazer nada para reverter a ordem do desembargador e disse: “Precisamos de uma decisão, qq que seja”.

Foi no âmbito da Reclamação (RCL) 43.007 que o ministro Ricardo Lewandowski determinou que Lula tivesse acesso a todo o material apreendido no âmbito da Operação Spoofing, que teve como alvo os hackers que invadiram celulares de autoridades, como o ex-juiz Sergio Moro e Dallagnol. Em 9 de fevereiro, a 2ª Turma negou recurso da Lava Jato que pedia a revogação do acesso.

As conversas de 8 de julho mostram um intenso debate sobre como reverter a decisão de Favreto. Dallagnol disse que era necessário uma “contraordem de [João] Gebran ou Lens [Carlos Eduardo Thompson Flores Lens]”, ambos desembargadores do TRF4, porque Favreto poderia cassar eventual decisão de Moro determinando nova prisão.

Dallagnol depois diz que falou com Maurício Valeixo, então diretor da Polícia Federal. “Falei com Valeixo agora, seguem segurando. Estão em contato com TRF tbm”.

O procurado da República também afirmou aos colegas que a ministra Cármen Lúcia, do STF, havia conversado com o então ministro da Justiça, Raul Jungmann, para que Lula não fosse solto. “Cármen Lúcia ligou pra Jungman e mandou não cumprir e teria falado tb com Thompson”.