Divisão na direita provoca barraco na Jovem Pan; ‘professor’ Villa é afastado e nega versão oficial de férias: “Desminto. Não sou moleque!”

BR: Um dos herdeiros na mídia radiofônica do ex-governador Carlos Lacerda (1914-1977), que nos anos 1950/60 vociferava contra os governos democráticos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubistchek, o comentarista Marco Antônio Villa está afastado da Rádio Jovem Pan, de São Paulo. O motivo não reconhecido oficialmente está nas críticas que ele têm feito ao governo do presidente Jair Bolsonaro, com o qual a emissora é alinhada.

O afastamento refletiu a divisão verificada na direita brasileira, com grupos como o Movimento Brasil Livre e estrelas eleitorais como a deputada estadual Janaína Paschoal discordando de movimentos do presidente Jair Bolsonaro, a ponto de criticarem e não comparecerem às manifestações a favor dele, no último domingo.

Na Pan, o afastamento de Villa tem o clima de um verdadeiro barraco. O próprio comentarista diz que foi afastado, e que não é “moleque” para aceitar outra versão. Mas o diretor de jornalismo da emissora, Felipe Moura Brasil, disse ao público que o ‘professor Villa’ está apenas de férias. “Desminto”, diz Villa em entrevista à edição on-line da revista Veja São Paulo.

Acompanhe o vídeo de Moura Brasil e a entrevista de Villa à Vejinhja:

https://support.twitter.com/articles/20175256


VEJA SÃO PAULO:Como você recebeu a notícia do seu afastamento? 

Marco Antonio Villa: Recebi a notícia na sexta-feira (24), depois do Jornal da Manhã. José Carlos Pereira (vice-presidente da emissora) me enviou uma mensagem dizendo que eu deveria aguardar por ele para conversarmos. Ele me falou, então, que havia uma exigência do Tutinha (presidente da JP) para que eu não comparecesse ao trabalho nos próximos trinta dias. Eles já estavam me pressionando havia dois meses, mas pedi que me enviassem a determinação por escrito.

VSP:Como foram estes momentos de pressão?

Villa: Eu não tenho como provar, então prefiro não falar muito. Mas digamos que não estavam satisfeitos com a minha leitura da atual conjuntura política. Na internet, os extremistas de direita me atacaram durante semanas exigindo minha demissão. Eu não sou moleque, tenho uma história. Marquei meu nome no jornalismo político e estou há quatro anos e meio na Jovem Pan.

VSP:O diretor de jornalismo da Jovem Pan, Felipe Moura Brasil, leu um comunicado ao vivo dizendo que você está de férias. Isso é verídico?

Villa: Eu desminto a versão de que eu solicitei férias. Nunca tirei férias, não iria fazer isso com o Brasil nesta situação. A empresa disse para o contratado, no caso eu, que não precisava dos seus serviços durante os próximos trinta dias devido a readequações internas. Estava sendo muito pressionado para aceitar essa determinação. Estava dormindo mal, não estava passando bem, então decidi acatar.

VSP:Dá para dizer, então, que foi uma decisão política?

Villa: Eu não posso dizer que o Jair Bolsonaro pediu minha demissão, isso eu não sei. Mas claramente tem um lado político, querem calar a minha voz. Não me dobro, nunca me dobrei. A minha ação é sempre a mesma. Tenho uma visão de mundo e de Brasil, minha leitura se mostra sempre crítica da conjuntura.

VSP:Te incomodava a postura da Jovem Pan em relação ao atual governo?

Villa: Não me incomodava porque não me desviei do meu caminho. Mantive minha análise independente. Da mesma forma que eu critiquei os governos do PT, estou criticando o governo Bolsonaro.

VSP:Quais serão seus próximos passos? Pensa em voltar à Jovem Pan?

Villa: Estou trabalhando para potencializar minhas redes sociais, postando sete vídeos e comentários por dia. Tenho recebido muito apoio, centenas de mensagens. Meu retorno está na carta como 24 de junho, dia de São João. Mais não sei se vou pular fogueira ou não. Estou pensando, refletindo. É inegável que houve um desrespeito ao meu trabalho.