Direto de Brasília: Bolsonaro ressuscita proposta de pacto político, que nunca deu certo

BR: Na café da manhã de hoje com os chefes do Legislativo e do Judiciário, o presidente Jair Bolsonaro, por meio da palavra do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, lançou para o meio político um ideia que nunca deu certo no país, a de um pacto político.

Tentada desde os tempos do governo, essa intenção já teve diferentes nomes, de Brasil S.A. a Consertação Política, ganhando até na primeiro campanha presidencial vitoriosa do PT, em 1998, a roupagem do ‘Lula Paz e Amor’. As divergências políticas intrínsecas entre os partidos e os diferentes interesses das classes sociais, no entanto, nunca permitiram que a proposta de união nacional sem rusgas, sem divergência, na base do ‘todos nós queremos o bem do Brasil’, prosperasse.

Pacto, ainda, sempre foi uma proposta, no Brasil, feita por governos que se enroscaram em seus próprios erros, à beira de uma crise econômica e com dificuldades em fazer maioria no Congresso.

É, mais uma vez, o caso. Depois de passar os cinco primeiro meses do seu governo dinamitando pontes de diálogo com o Legislativo e o Judiciário, além de incentivar, divertir-se e comemorar manifestações, no último domingo, francamente ofensivas aos demais poderes, o chefe do Executivo apresenta do nada, ou melhor, da cartola de seu isolado, no Congresso, ministro da Casa Civil, uma proposta de união nacional em torno de si próprio, uma vez que o presidente da República é a principal figura política do País, em qualquer circunstância, no atual regime presidencialista.

Em outro aspecto, a proposta de pacto é feita no momento em que o Legislativa, de modo responsável, forma um consenso para liderar a realização de reformas, independentemente da postura muitas vezes infantil e irresponsável do próprio Bolsonaro e seus principais valetes na condução desses temas.

De saída, parece claro que, perdendo o protagonismo, o governo Bolsonaro, com o tal pacto, quer retomar o tempo perdido.

Elegante, o presidente da Câmara prometeu consultar os presidentes dos partidos políticos sobre a aceitação da iniciativa. Será preciso, se for um pacto para valer, incluir nele entidades da sociedade civil que não estão diretamente representadas no parlamento.

O pacto vai chegar até esse estágio? Ou será um mero arreglo entre as elites políticas? Repita-se: sempre que foi tentado, no Brasil o tal pacto nunca vingou.