Dia Internacional da Mulher promete milhares em protestos contra o governo Bolsonaro; feminicídio em alta marca data com sangue

As manifestações do Dia Internacional da Mulher neste 8 de março serão palco de críticas ao governo de Jair Bolsonaro, em uma retomada do movimento #EleNão, organizado na campanha eleitoral. Movimentos sociais e integrantes de partidos da oposição farão atos em todas capitais do País.

O aumento nos crimes de feminicídio marca a data tristemente. Houve ainda um aumento no número de registros de feminicídio, ou seja, de casos em que mulheres foram mortas em crimes de ódio motivados pela condição de gênero. Foram 1.135 no ano passado, ante 1.047 em 2017.

A luta contra a reforma da Previdência também estará entre as bandeiras. “O nosso chamado é Mulheres contra Bolsonaro. Não só pela reforma, mas o pacote de propostas dele como um todo afetará as mulheres”, afirma Sônia Coelho, integrante da Marcha Mundial das Mulheres e da Organização Sempre Viva.

Quanto às mudanças nas regras de aposentadoria, a militante destaca que haverá um impacto mais danoso a mulheres do campo e à população negra. “A reforma não reconhece a desigualdade entre homens e mulheres”, critica. Ela lembra dados que indicam diferença no sistema atual.

Hoje, as mulheres são maioria entre os que se aposentam por idade. Elas representam 64%, com benefícios em torno de um salário mínimo, de acordo com o estudo “Diferenças na legislação à aposentadoria entre homens e mulheres: breve histórico”, do Ipea. Na modalidade tempo por contribuição, por sua vez, onde os rendimentos são maiores, a presença feminina cai para 30%.

A proposta de emenda à Constituição (PEC) enviada pelo Palácio do Planalto em fevereiro estabelece uma idade mínima de 65 anos para homens e 62 para brasileiras terem acesso ao benefício.

A deputada Maria do Rosário (PT-RS), por sua vez, lembra que no sistema dos funcionários públicos, a reforma irá aumentar a idade mínima em 7 anos para as brasileiras – que hoje se aposentam a partir dos 55 anos – e em 5 anos para os homens – que têm direito ao benefício após os 60 anos. “A proposta desconsidera o trabalho que a mulher realiza e não é contabilizado. Elas são as primeiras a levantarem da cama e as últimas a se deitarem”, diz ela.