Desemprego cresce 13% entre quem tem diploma de ensino superior; quando há vaga, remuneração é menor que antes

BR: O diploma de curso de ensino superior não está mais, como antes, garantindo o acesso ao mercado de trabalho. Dados do primeiro trimestre deste ano levantados pela pesquisa Pnad Contínua, do IBGE, mostram que nada menos 1,4 milhão de brasileiros com ensino superior completo estão sem trabalho neste momento. Isso representa uma alta de 13% em apenas um ano, uma vez que, nos três primeiros meses de 2018, o número foi de 1,23 milhão.

O avanço da desocupação nesse segmento, geralmente mais protegido do desemprego que os menos escolarizados, contrasta com a queda de 1,8% no contingente total de desempregados no período.

“O tipo de emprego que tem sido gerado, responsável por alguma melhora no índice geral, em sua maioria não requer tanta qualificação”, afirma ao jornal O Globo Bruno Ottoni, pesquisador da consultoria iDados. Além do maior desemprego, a renda média dos profissionais com ensino superior caiu 0,9% em um ano, de R$ 5.710 para R$ 5.654. Já a média do trabalhador em geral subiu 1,5% entre os primeiros trimestres de 2018 e 2019, de R$ 2.478 para R$ 2.516.

Maria Andreia Lameiras, pesquisadora do Ipea, explica que os menos escolarizados sofrem mais com o desemprego, mas o andar de cima é afetado com mais força agora por causa da lenta recuperação econômica desde 2014:

“Além de profunda, a crise é longa. Em momentos de dificuldade, as empresas primeiro cortam os funcionários com menos produtividade e salários mais baixos, preservando os mais qualificados, que receberam maior investimento em treinamento. Mas, por conta da duração da crise, as empresas são obrigadas a dispensá-los também”, diz ela.

Um dos fatores para o aumento do desemprego entre os graduados é o maior acesso dos brasileiros à universidade, o que não tem sido acompanhado pela geração de postos de trabalho. Em um ano, a força de trabalho com ensino superior aumentou 8%, chegando a 20,3 milhões de pessoas em março. São cerca de 1,5 milhão de novos profissionais. Não há vagas para todos.