Demissão da cúpula é única saída para salvar a Vale

O presidente da Vale, Fábio Schvartsman, tem uma missão a cumprir – e de preferência ainda nesta quinta-feira 7: liderar a saída coletiva da atual diretoria da mineradora. Sem esse gesto, avaliam observadores qualificados do mercado, não há como a mineradora escapar do cerco a que está submetida desde o rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho, em 25 de janeiro, cuja consequência foi a morte de ao menos 300 pessoas.

Além de uma queda acentuada no valor das ações da companhia, a Vale passou, desde Brumadinho, a sofrer um forte aperto por parte da Justiça e do governo. Na quarta-feira 6, o Executivo recusou estender a licença para a operação da mina de níquel da empresa no Pará. Em Minas Gerais, a Justiça estadual tem determinado seguidos bloqueios e suspensões de operações da mineradora em diferentes regiões.

Entre familiares de vítimas fatais da tragédia, crescem as reclamações de que, até aqui, as promessas de assistência feitas pela companhia são vazias.

“Vocês são rápidos só na hora de matar”, disse um parente de uma das vítimas, durante reunião com executivos da mineradora no início da semana.

Não apenas o governo federal, mas especialmente os acionistas e investidores da companhia estão em tudo insatisfeitos com a permanência de Schvartsman e seus diretores no comando da companhia.

A avaliação é de que, enquanto eles prosseguirem em seus cargos, a Vale não terá mínimas condições para superar os fortes efeitos negativos em seu desempenho empresarial e financeiro provocados pela tragédia de Brumadinho.

Passou da hora de ir embora.

Abaixo, notícia sobre Brumadinho:

No 13º dia da maior tragédia trabalhista, social e ambiental do Brasil, subiu para 150 o número de vítimas fatais do rompimento da barragem da Vale, que despejou uma avalanche de rejeitos de minério em Brumadinho, no último dia 25.

Segundo informações da Defesa Civil de Minas Gerais, divulgadas nesta quarta-feira (6), 182 pessoas ainda estão desaparecidas, entre eles funcionários da Vale e terceirizados que prestavam serviço à mineradora. Outros 103 moradores estão desabrigados. Segundo os bombeiros, do total de mortos, 134 já foram identificados.

Os novos corpos localizados foram retirados da área de estacionamento da barragem, da Estação de Tratamento de Minério e dos arredores do vestiário dos funcionários da Vale, empresa responsável pela barragem. 

“Esses três locais já eram locais que estimávamos que encontraríamos uma quantidade considerável de corpos e essa expectativa foi confirmada”, disse o porta-voz do Corpo de Bombeiros, tenente Pedro Aihara. Na segunda-feira (4), o número de mortos estava em 134.

As buscas continuam

Apesar do tempo nublado, as buscas por pessoas desaparecidas começaram no início desta quarta-feira (6) com cerca de 380 profissionais. Além do efetivo local, as equipes contam com o auxílio de soldados do Exército e bombeiros de outros estados, como o Maranhão; 21 máquinas pesadas e quatro caminhões.

O tenente-coronel Anderson Passos, do Corpo de Bombeiros, disse esta manhã que, por causa da chuva fina a opção das equipes de busca foi usar viaturas. Ele disse também que está usando 25 máquinas, sendo quatro delas caminhões, nas buscas dos desaparecidos.

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“Neste momento da operação, o trabalho com o maquinário pesado tem feito a diferença, associado ao trabalho das equipes caninas e dos homens em campo. Isso tudo vai sendo manejado ao longo do dia, como foi ontem, e o complicador para hoje de fato é a chuva, que em alguns momentos dificulta e, em outros, traz aspectos positivos”, explicou o tenente, que coordena as buscas.

Como foram as buscas nesta terça

Nesta terça, as buscas foram feitas em 22 pontos diferentes e contaram com a ajuda de 10 helicópteros e equipes de militares a pé, de barco, escavadeiras e máquinas. Os primeiros corpos ou restos mortais só foram retirados da lama por volta das 9h45.

No balanço da Defesa Civil de Minas Gerais, três pessoas permanecem hospitalizadas.

Reivindicações dos moradores  

Por volta das 19h, uma reunião tensa, entre cerca de 450 moradores, representantes do Ministério Público (MP), Defensoria Pública e executivos da Vale, que durou mais de 2 horas, terminou sem acordo. Os representantes da mineradora não aceitaram as reivindicações da comunidade.

Os atingidos pelo crime ambiental da Vale e membros do poder público pediam que a mineradora assumisse as dívidas de camponeses com financiamentos para plantações destruídas pela lama e pagamentos mensais até que as indenizações sejam determinadas pela Justiça. O pedido prevê um salário mínimo para moradores adultos, meio salário mínimo para adolescentes entre 14 e 18 anos e 25% do salário mínimo para crianças.

O pedido coletivo apresentado à mineradora também inclui a doação de R$ 5 mil para as famílias que vivem no Parque da Cachoeira.