Delegado do caso Marielle será afastado das investigações; Por que? O que há por trás dessa manobra? Giniton Lages foi longe demais?

BR: O delegado Giniton Lages, chefe da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, responsável por conduzir as investigações  do assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, será afastado do caso pela Polícia Civil. A informação é do colunista Lauro Jardim, que diz que o motivo oficial do afastamento é a conclusão da missão.

Esse é um motivo aceitável pela sociedade? Se for assim, não seria o caso de fortalecer o trabalho dele, em lugar de tirá-lo do comando das investigações que deram resultado?

O que se comenta nos bastidores da investigação é que a revelação, pelo delegado, de que o filho mais novo do presidente Jair Bolsonaro, Jair Renan Bolsonaro, de 20 anos, namorou a filha do ex-sargento Ronnie Lessa, acusado de ter disparado os tiros que mataram a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, teria pesado na decisão da Polícia Civil de tirar Lages do caso.

Na entrevista coletiva em que comentou a prisão de Lessa e seu parceiro Élcio Vieira de Queiroz, que teria dirigido o carro de onde foram feitos os disparos, o delegado Lages afirmou que uma eventual relação entre o crime e a família Bolsonaro seria tratada “no momento oportuno”. A suposição foi levantada por jornalistas em razão de o ex-sargento Lessa ter residência no condomínio Vivendas da Barra, o mesmo em que o presidente Jair Bolsonaro morava antes de se mudar para Brasília. O delegado deu a informação em tom de voz baixo, visivelmente incomodado com a indagação. No entanto, revelou um fato que não era conhecido até ali.

O delegado também disse na entrevista coletiva que os presos como assassinos de Marielle poderia ser beneficiados com deleção premiada para contar quem são os mandantes do crime.

O não descarte peremptório do delegado Lages sobre a proximidade dos Bolsonaro com Lessa irritou o deputado federal Eduardo Bolsonaro. Ele declarou que qualquer tentativa de associação da família com o crime é “absurda e repugnante”. O filho do presidente Bolsonaro, no entanto, não admitiu que o caso Marielle, que ganhou repercussão mundial por sua condição de crime político, seja diferente de “outros 62 mil casos de homicídio que temos no Brasil”. Para ele, “não tem essa de passar a mão na cabeça”.