Defesa só se manifestou pró-Constituição após cobrança de Toffoli; “Desconforto” por atos contra a democracia e presença de Bolsonaro

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, telefonou no domingo para o ministro da Defesa, Fernando de Azevedo e Silva, para questionar a participação do presidente Jair Bolsonaro em manifestação convocada em defesa do fechamento do Congresso, do Supremo e a destituição dos governadores. Os dois são próximos. Antes de assumir a pasta, o ministro assessorava Toffoli na Corte.

Toffoli manifestou o ‘desconforto’ com a postura do presidente e avisou que a simples presença dele em atos que tinham como pauta medidas inconstitucionais deu um sinal ruim. Ele observou que não pode haver dúvida ou ambiguidade dessa natureza em relação ao comportamento do presidente.

Na conversa, o ministro da Defesa tentou tranquilizar o presidente do Supremo. Disse que, em nenhum momento, Bolsonaro discursou em defesa de medidas autoritárias contra os demais poderes e enfatizou que o presidente é um defensor da Constituição.

Presidente do STF, Dias Toffoli
10/12/2019
REUTERS/Adriano Machado
Presidente do STF, Dias Toffoli 10/12/2019 REUTERS/Adriano Machado Foto: Reuters

Nesta segunda-feira, o ministro divulgou nota na qual afirma que “as Forças Armadas trabalham com o propósito de manter a paz e a estabilidade do País, sempre obedientes à Constituição Federal”. E que o “esforço de todos os brasileiros”, neste momento, deve ser “para combater um inimigo comum: o Coronavírus e suas consequências sociais. É isso o que estamos fazendo.” O Estado apurou que o objetivo foi afastar qualquer especulação de que medidas antidemocráticas estariam sendo planejadas pelo governo com o apoio das Forças Armadas.