Com interesse na Editora Abril, BTG apoia calote de R$ 1,6 bi em bancos; recuperação judicial em risco

A recuperação judicial da Editora Abril, que já foi a mais poderosa do País e ainda detém a revista Veja, considerada a de maior influência na mídia tradicional, está ameaçada. O motivo é a proposta feita pelo novo controlador da empresa, Fabio Carvalho, aos bancos credores. Segundo fontes do mercado, Carvalho atua em associação direta com o banco BTG Pactual. Em dezembro, o empresário anunciou ter entrado em acordo com a família Civita para ficar com a Abril.

Os bancos Itaú, Bradesco e Santander consideraram ruins as três propostas apresentadas até aqui para adquirir a dívida financeira da Abril, que soma mais de R$ 1 bilhão. Carvalho diz querer pagar apenas entre 3% e 5% desse valor para liquidar as cobranças. Os bancos, é claro, estão dizendo que a proposta é inaceitável, para não dizer indecorosa.

Quando inclui outros fornecedores, a dívida da Abril com o mercado chega a R$ 1,6 bilhão. Desse total, R$ 90 milhões são passivos trabalhistas.

Em dezembro, a família Civita acertou a venda do grupo para o empresário Fábio Carvalho, com o apoio do BTG, mas o negócio não selou o destino da Abril. A discussão da dívida bancária é ainda mais importante. Como maior credor, quem detiver a dívida financeira poderá aprovar ou reprovar o plano de recuperação na assembleia marcada para 19 de março. No limite, pode até ganhar força para impor sua própria proposta e acabar tomando o controle da empresa.

Mas, se não houver acordo entre os bancos e os interessados na compra da dívida, o plano de recuperação pode ser simplesmente rejeitado, e a falência da Abril, decretada. Os bancos não querem ser considerados os responsáveis pela quebra da editora, mas o calote previsto nas propostas em discussão é muito expressivo.