CPI quer ressarcimento de viagens a Índia para compra não realizada de Covaxin; conta para Bolsonaro e Pazuello

A cúpula da CPI da Covid vai pedir esclarecimentos ao Ministério da Saúde sobre os gastos com ações frustradas para trazer vacinas da Índia e os motivos pelos quais a operação negociada pelo Itamaraty foi efetivada por 10% do valor pago anteriormente.

Os senadores ainda pretendem pedir ressarcimento dos agentes públicos envolvidos na operação fracassada, citando o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro Eduardo Pazuello.

Reportagem da Folha de S.Paulo nesta quinta-feira (26) mostrou que o Ministério das Relações Exteriores negociou secretamente com o governo indiano e conseguiu transportar 2 milhões de doses para o Brasil por US$ 55 mil (R$ 288 mil na cotação atual).

A operação aconteceu após duas tentativas frustradas de buscar as mesmas doses em janeiro, que geraram um prejuízo de US$ 500 mil (R$ 2,6 milhões na cotação atual) para a Fiocruz.

Na abertura da sessão do colegiado, o presidente Omar Aziz (PSD-AM) afirmou que vai enviar um requerimento ao Ministério da Saúde pedindo esclarecimentos sobre a discrepância dos valores e também detalhes sobre o prejuízo total aos cofres públicos nas operações frustradas.

“Eu queria pedir ao secretário [da CPI] que fizesse um requerimento ao Ministério da Saúde para saber qual foi o gasto fracassado para trazer 2 milhões de doses da Índia, que, segundo uma matéria da Folha de S.Paulo, teria sido de US$ 500 mil para trazer a vacina e o Itamaraty teria gasto 10% [desse valor, posteriormente] para trazer as mesmas vacinas”, afirmou.

“Então estou requerendo essas informações o mais rápido possível para saber como foi gasto esses R$ 500 mil, que é mais um prejuízo ao erário. Além do mais, tudo o que se fez com a Índia foi problemático”, completou.

Aziz ainda lembrou que o governo brasileiro deu grande publicidade para as operações que resultaram frustradas, fretando um avião da companhia Azul, que foi envelopado especialmente para a operação. O presidente da CPI chamou essas ações de “Carnaval”.