Com pedido de impeachment contra si no Senado, Gilmar chama procuradores da Lava-Jato de “cretinos” e diz que “corrupção passou a dar lucro”

O ministro Gilmar Mendes atacou os membros do Ministério Público Federal que integram a força-tarefa da operação Lava Jato. Durante o julgamento que define o alcance da Justiça Eleitoral, nesta quinta-feira (14), Gilmar chamou os procuradores de “cretinos” e criticou o acordo do MPF com a Petrobras que previa a criação de uma fundação anticorrupção. A entidade, segundo o acordo que acabou sendo suspenso, usaria R$ 1,3 bilhão de multas que a estatal aceitou pagar perante a Justiça dos Estados Unidos.

“O que é inusitado? Esses ataques feitos por membros do Ministério Público a julgadores. Como se estivessem participando de uma corrida do ouro. E até se descobriu que de fato estavam participando de uma corrida do ouro, com a fundação que se criou em Curitiba. De fato o combate à corrupção passou a dar lucro”, disse o ministro durante a leitura de seu voto.

O nervosismo do ministro é compreensível. Mais cedo, ele foi alvo de um pedido de impeachment. Os advogados Modesto Carvalhosa e Luís Carlos Crema e o desembargador paulista Laercio Laurelli apontaram 32 casos em que, segundo eles, Gilmar cometeu crime de responsabilidade ou quebra de decoro. Os episódios constam do pedido de impeachment entregue por Carvalhosa nesta quinta-feira14 ao Senado.

“Está claro que a sociedade, por unanimidade, não admite a presença dessa figura no Supremo. Ele é o inimigo público número um do Brasil. Mancha profundamente as instituições brasileiras”, afirma o professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP).

Contra o integrante da Lava-Jato, os ataques a que Gilmar se refere aumentaram na véspera do julgamento que corre na tarde desta quinta. O Supremo decide se investigações em que haja indício de crimes eleitorais, como o caixa 2, devem correr integralmente na Justiça Eleitoral, mesmo que haja também evidências de crimes como corrupção e lavagem de dinheiro.

A força-tarefa, que defende a separação dos casos, afirma que seria “trágico” para o combate à corrupção no Brasil que todos os casos fossem à Justiça Eleitoral, porque estes tribunais não tem a mesma estrutura e especialização da Justiça comum para processar os casos.

Gilmar, que votou contra o fatiamento das ações, criticou as campanhas que procuradores da Lava Jato têm feito em redes sociais a favor do entendimento deles sobre o assunto. “O que se trava aqui é uma disputa de poder. Querem constranger, amedrontar”, acusou. Segundo Mendes, a forca-tarefa adotou um “modelo ditatorial” de trabalho. “Se eles estudaram em Harvard, são uns cretinos, não sabem o que é processo civilizatório”, atacou.