Com filho endividado em R$ 69 milhões na Receita e querendo se livrar de multa de 150%, pai de Neymar é recebido por Bolsonaro, Cintra e Guedes; Isso pode, Arnaldo, ou é mesmo um escândalo?

BR: Se você tem problemas com a Receita Federal, por exemplo uma cobrança de R$ 69 milhões por impostos não recolhidos, com o acréscimo de uma multa de 150%, não viriam a calhar reuniões fechadas com ninguém menos que o presidente da República, o secretário da Receita e, ainda, o ministro da Economia? Não seriam estes ótimos momentos para você apresentar suas justificativas e tentar encaminhar uma solução favorável ao seu caso, adiantando esclarecimentos que, no casos dos cidadãos comuns, jamais poderiam ser prestados diante de autoridades tão destacadas? Uma hora bastante propícia para fazer um chororô contra a multa de 150?

Pois esse privilégio foi exercido ontem, em Brasília, pelo empresário Neymar da Silva Santos, o pai do jogador Neymar Jr. Ao lado de seu braço direito para negócios, Altamiro Bezerra, Neymar pai foi sucessivamente recebido pelo secretário da Receita, Marcos Cintra, pelo presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto, e, em seguido, pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, em gabinete ministerial. O encontro com Guedes não estava previsto e foi incluído na agenda oficial do ministro somente depois que as reuniões anteriores foram encerradas

O Ministério da Economia informou que o empresário pretendia, inicialmente, prestar esclarecimentos a Bolsonaro sobre um processo fiscal pendente de julgamento, informa o jornal Folha de S. Paulo. “Considerando tratar-se de tema de natureza técnica, regido por regras próprias, ele foi encaminhado ao ministério da Economia. O empresário apresentou seus esclarecimentos ao ministro Paulo Guedes, sendo usual a concessão de audiências ao setor privado, conforme consta na agenda pública das autoridades da União”, diz a pasta. Num um primeiro momento, porém, a assessoria de imprensa do ministério afirmou que o encontro foi marcado para tratar de “questões tributárias relativas a atividades esportivas”.

O ministério afirma ainda que, independentemente da audiência, todo o encaminhamento da questão ocorrerá no âmbito do processo e observará todas as premissas legais aplicáveis.

Para o estafe do jogador, o motivo do encontro com Guedes foi o fato de a NR Sports, empresa que cuida da carreira de Neymar, estar entre as 10 mil maiores contribuintes do Brasil.

Seja qual for a desculpa, o fato é que, em qualquer país civilizado do mundo, reuniões entre os personagens envolvidos, e nas circunstâncias em que se deram, seriam, nada mais nada menos, que escândalos.