Após injeção do BTG Pactual, Veja consolida aliança entre ex-sócios Esteves e Guedes; ‘superministro’ faz ‘2ª independência do Brasil’, diz revista, 197 anos depois de Pedro I

BR: Apesar de não ter sido lançado, e de nem mesmo ser conhecido até aqui, o ‘Plano Guedes’ já deu certo! É o se depreende da capa e do texto correspondente na edição da revista Veja que circulou nesta sexta-feira 26. O “superministro da Economia” vai “impulsionar de vez o crescimento e tirar o Brasil do atraso”, promete a chamada de capa. Lá dentro, o que se lê de cara, em destaque, é: “O governo vai lançar medidas estruturais para pôs o país, enfim, na rota do crescimento”. No arremate, após sustentar que o conjunto de medidas a serem anunciadas “nas próximas semanas”, prazo que contraria a existência de um plano pronto, irão representar nada menos que R$ 4,59 trilhões em ganhos em dez anos para todos – “povo, bancos e governo”, define lá pelas tantas o texto. A real dimensão oceânica de sucesso garantido do plano é comparado, nas linhas finais da peça, a uma “segunda independência do Brasil”. Ao contrário de dom Pedro I, no entanto, Guedes é um superministro “que trabalha com afinco” e cuja equipe “emendou sete dias e varou madrugadas de trabalho” para estruturar a medida que libera saques de no máximo R$ 500 para contas ativas e inativas do FGTS. Como se lê, mais um mito está em crescimento no governo Bolsonaro, o próprio Guedes.

A explicação para a fabricação do ícone Guedes está no anos 1980, dentro do banco de investimentos Pactual, em sua sede no Rio de Janeiro, na torre do Rio Sul. Ali, o atual ministro e o banqueiro André Esteves trabalhavam na mesma mesa de operações. “Éramos os que ganhávamos mais dinheiro para o banco”, jactou-se Guedes, no ano passado, quando Veja dedicou a ele sua primeira capa laudatória. Com a compra da Editora Abril, em recuperação judicial, pelo advogado Fabio Carvalho, com dinheiro declaradamente proporcionado pelo BTG Pactual, o que já era uma afinidade profunda virou alinhamento automático. Esteves cresceu dentro do banco e tornou-se seu principal acionista, nunca reclamando por ser chamado de ‘o dono’ da banca, que comanda com mão de ferro. Em paralelo, o antigo parceiro Guedes virou o que a publicação cuja troca de mãos foi bancada por Esteves chama de superministro.

Com os votos de amizade entre Esteves e Guedes renovados, Veja já pode se orgulhar de ser uma espécie de sucursal do Ministério da Economia na mídia. Afinal, já recebe informações antecipadas, tal qual as medidas a serem anunciadas nas ‘próximas semanas’, e demonstra a disposição para cunhar expressões grandiosas como ‘Plano Guedes’ e garantir que ele já deu certo.