Com campanha em crise após prisão de ex-ministro, Bolsonaro janta com Lira e Gilmar; discurso de honestidade esfarela

O presidente Jair Bolsonaro deixou a residência oficial do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), sem falar com a imprensa, após participar de um jantar em homenagem ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro, organizado por Lira, foi em comemoração aos 20 anos do magistrado na Corte.

O jantar, que não constou da agenda oficial do chefe do Executivo, ocorreu em meio à ofensiva do governo sobre a Petrobras. Como mostrou o Broadcast Político, a estratégia envolve ameaçar a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e afrouxar a Lei das Estatais para alterar a política de preços com paridade internacional da estatal, criticada por Bolsonaro.

O jantar ocorreu, ainda, no mesmo dia em que o governo sofreu desgaste com a prisão preventiva do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro no âmbito das investigações sobre o chamado “gabinete paralelo” de pastores no MEC, que controlavam a distribuição de verbas a prefeituras. O escândalo, revelado pelo Estadão, levou à queda de Ribeiro do comando do Ministério, em 28 de março. O esquema envolvia a compra de bíblias em que apareciam fotos do ministro e até mesmo pedidos de pagamento de propina em ouro.