Com Bolsonaro, 153 militares da ativa foram cedidos para cargos no governo federal

O total de militares da ativa cedidos ao Executivo federal cresceu 13,7% nos primeiros seis meses do governo do presidente Jair Bolsonaro, na comparação com 2018, segundo dados do Ministério da Defesa. Esse percentual representa um acréscimo de 153 membros — número passou de 1.118 cedidos, no ano passado, para os atuais 1.271. A informação é de O Globo.

Com 75,5% do total de militares no governo, o Exército é a força com maior presença no Executivo. São 962 integrantes no governo, contra 164 da Marinha e 145 da Aeronáutica. Em 2018, o Exército representava 76% dos militares no governo.

As pastas que mais abrigam militares da ativa são o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), seguido pela Advocacia-Geral da União (AGU) e pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

Além dos militares que ocupam cargos nos ministérios, há também membros da ativa em outros órgãos do Executivo federal, como na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), na Autoridade de Governança do Legado Olímpico (AGLO) e na vice-presidência.

Ainda que tenha aumentado o número de militares da ativa no Executivo, são os da reserva que terminaram ocupando os principais cargos no alto escalão. Dos seis ministros que integraram os quadros das Forças Armadas, dois trabalham diretamente com o presidente: Augusto Heleno, ministro do GSI, e Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo.

Carlos Fico, doutor em história social e professor da UFRJ, analisa que o aumento de militares na administração pública se relaciona com a falta de quadros no PSL, partido do presidente, e não com uma militarização do governo.

— Eu avalio que ele recorreu aos militares nesse sentido, na obtenção do mínimo de quadros organizados, até porque as forças armadas, sobretudo o Exército, representam no Brasil esse segmentos mais conservadores —afirmou Fico.