Bolsonaro desmente Cintra sobre imposto a dízimo de igrejas; folclórico, ele tem condições de chefiar a Receita?; vídeo

BR: O secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, foi confirmado hoje pelo presidente Jair Bolsonaro como o elo mais fraco da equipe econômica. Sem meias palavras, seco e direto, o presidente desmentiu o ponto principal de uma longa entrevista de Cintra à edição de hoje do jornal Folha de S. Paulo: a criação da chamada Contribuição Previdenciária (CP), com alíquota de 0,9% sobre todas as operações financeiras.

“Nenhum novo imposto será criado”, escreveu Bolsonaro em sua conta no Twitter, demolindo o eixo central da estratégia arrecadatória do chefe da Receita. O presidente também gravou um vídeo como forma de não deixar nenhuma dúvida sobre o desmentido.

Assista:

pic.twitter.com/WCi1ohQl7b

Economista folclórico pela defesa, durante anos a fio, do imposto único, bandeira que apenas ele próprio carregava, Cintra tem origem no malufismo paulista. Este ano, sua proposta de reforma tributária foi deixada de lado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que já disse que dará curso a um projeto que já tramita na Casa, após a aprovação da reforma da Previdência.

Cintra, na entrevista à Folha, irritou Bolsonaro de diferentes maneiras. Além de tirar o colete a CP, uma espécie de nova CPMF, o secretário da Receita ainda falou em cobrar o imposto sobre o dízimo das igrejas pentecostais, base eleitoral exclusiva do próprio presidente. A entrevista só durou poucas horas até ser desmentida.

A pergunta que se faz em Brasília, agora, é se Cintra tem mesmo condições técnicas e políticas de se manter à frente da estratégica Receita Federal. O presidente não o apoia.