Chamado de ‘Rasputin’ pela esquerda, Olavo emplaca sucessor de Vélez contra vontade de militares; Bolsonaro faz jogo perigoso

O astrólogo Olavo de Carvalho é uma espécie de Raspútin do Palácio do Planalto. Mesmo morando nos Estados Unidos desde de 2005 e não possuindo cargos no Brasil, o guru de Jair Bolsonaro (PSL) tem força para demitir e contratar ministros de Estado.

Olavo ganhou a queda de braços com os militares que estavam tutelando o ex-ministro Ricardo Vélez Rodríguez, demitido nesta segunda-feira (8) pelo capitão reformado do Exército. Em seu lugar, por recomendação do “Raspútin Brasileiro” o presidente da República nomeou no MEC Abraham Weintraub, economista com experiência em especulação financeira.

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O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB), em Washington, depois de uma reunião com diplomatas, declarou que a troca na Educação seria uma “crônica de uma morte anunciada”, em referência ao livro homônimo do escritor colombiano Gabriel García Marquez.

Além da Educação, Olavo de Carvalho também nomeou e tutela o ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores). A principal tarefa desses seguidos do guru, conhecidos como “olavetes”, é combater a esquerda, a ideologia nas escolas, os comunistas e o avanço dos militares no governo de Bolsonaro.

Atribuiu-se ao “Raspútin Brasileiro”, isto é, a Olavo, a contratação desses ministros da Educação e Relações Exteriores — inclusive o próprio Vélez, a quem agora chama de “traidor” e por isso cuspiu fora do governo — e a demissão de Gustavo Bebianno (ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência).

Acerca de Raspútin

Grigori Raspútin viveu entre 1890 e 1916 na Rússia czarista. Autoproclamado “homem santo”, ele se aproximou da família do czar Nicolau II por meio de seus “milagres”. Era a figura mais influente politicamente no império russo até o declínio dos Románov. f