Chacina de 57 presos no Pará é a maior desde o Carandiru (111), mas governo faz que não vê

Uma rebelião no Centro de Recuperação Regional de Altamira, no sudoeste do Pará, deixou 57 detentos mortos, entre eles 16 decapitados, na manhã desta segunda-feira, 29, de acordo com informações da Susipe (Superintendência do Sistema Penitenciário do estado).

Segundo o jornal O Globo, o massacre é o maior ocorrido em um mesmo presídio desde o Carandiru, em 1992, quando 111 presos foram assassinados, e o quinto com alta letalidade registrado no sistema prisional brasileiro desde janeiro de 2017 — em dois anos e meio, o país teve 227 vítimas fatais. O caso mais recente aconteceu em unidades prisionais de Manaus, em maio, e deixou 55 mortos.

O ocorrido em Altamira teve início por causa de uma briga entre facções criminosas rivais. Dois agentes penitenciários foram mantidos reféns e liberados após negociação envolvendo policiais civis e miliares e promotores de Justiça. Vídeos feitos por detentos antes do fim da rebelião mostram cabeças de detentos sendo jogadas no chão em uma das alas do presídio.

“Tratou-se de uma guerra de facções. Em Altamira, há uma facção local chamada Comando Classe A (CCA) e que divide o presídio com integrantes do Comando Vermelho, e que foram esses vítimas desse ato praticado pelos integrantes da organização criminosa CCA”, disse o secretário extraordinário para assuntos penitenciários, Jarbas Vasconcelos.

Ainda segundo o secretário, o presídio estava com 311 presos, 11 a mais do que sua capacidade. A organização CCA recentemente tornou-se aliada ao PCC (Primeiro Comando da Capital), que disputa com o Comando Vermelho a liderança dos presídios brasileiros.

Providências

Após a rebelião, o governo do Pará determinou a transferência de 46 detentos suspeitos de participação no massacre. Deste número, 10 líderes de facções irão para um presídio federal, em vagas oferecidas pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro. Os outros serão distribuídos em unidades do estado.