Caminhoneiros divididos: para ou não para?

O aumento do diesel anunciado ontem não agradou em nada os caminhoneiros e uma ala mais radical já articula paralisação nos próximos dias enquanto uma outra ala tenta acalmar a situação e defende esperar mais um pouco. O anúncio feito ontem à noite pela Petrobrás prevê um aumento de  R$ 0,10 no litro do diesel e pode ser considerado mais um revés sofrido pelos caminhoneiros, que já estavam frustrados com o pacote anunciado pelo governo nesta semana.

O Estadão traz um depoimento do caminhoneiro Wanderlei Alves, conhecido como Dedeco, que diz que não tem outra alternativa a não ser decretar uma greve. “O governo pagou para ver. Agora só estamos vendo a data, mas será em menos de dez dias.” Ele destaca que a conta não fecha já que o preço do frete continua igual e os custos, subindo. Para quem gasta 10 mil litros de diesel, o aumento de ontem representa R$ 1 mil no bolso do caminhoneiro, como é o caso de Dedeco. “O governo insiste em tratar do setor com quem não tem caminhão”, critica Dedeco, uma das lideranças nacionais.

Em mensagem enviada ao ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o caminhoneiro Josué Rodrigues, um dos líderes na Região Norte, também ameaça nova greve para o mês que vem caso o preço não seja congelado e o tabelamento do frete não seja respeitado. “Se não fizer valer o piso mínimo do frete, nós vamos parar, não tem jeito. Se não agir antes do dia 21 de maio vai ter uma paralisação sangrenta, pode ter certeza.”

Mas também há boa vontade por parte por parte dos caminhoneiros em dar mais tempo para o novo governo, afirma Ivar Luiz Schmidt, um dos líderes do Comando Nacional do Transporte (CNT) no Nordeste. A maioria votou em Jair Bolsonaro para presidente, e ainda espera que ele faça alguma coisa pelos motoristas. Mas paciência tem limite, avisam os caminhoneiros nas redes sociais.