Brasília, sexta-feira 15: local e dia exatos em que Bolsonaro descobriu que não governa sozinho

Br2Pontos_ Na manhã desta sexta-feira 15, o presidente Jair Bolsonaro descobriu algo que pode ter sido desagradável para ele, mas que é bastante saudável para a democracia brasileira: o presidente da República não consegue fazer tudo o que quer.

Ao contrário das ditaduras, em que a vontade do poderoso de plantão prevalece sobre todas as outras, num sistema de três poderes constituídos, com a imprensa e a opinião pública atuando como fontes de observação e pressão, o presidente também não é um rei.

Bolsonaro, que após a campanha eleitoral passou mais tempo internado no hospital do que no exercício pleno da Presidência, em seu primeiro mês e meio de governo, não havia vivido nenhum momento real de compartilhamento de decisões.

Agora já sabe como funciona.

Na véspera do episódio em que, visivelmente a contragosto, manteve no cargo o ministro Gustavo Bebbiano, sem nem sequer tê-lo encontrado pessoalmente, o presidente já experimentara do equilíbrio imposto pelo sistema democrático ao conciliar sua vontade com a do ministro da Economia, Paulo Guedes, de modo a que se extraísse um consenso sobre a idade mínima e outros pontos no projeto de reforma da Previdência.

Mas o grande momento de percepção sobre em que, afinal, ele está metido, Bolsonaro viveu-o na bizarra crise política aberta por seu filho Carlos, o 02, que intentou derrubar Bebbiano com um golpe de Twitter. Ao corroborar a iniciativa filial, o presidente, por um momento, achou que bastaria apenas aguardar uma carta de exoneração ou, quando muito, dar uma canetada de Bic para fazer sua própria vontade.

Não houve uma coisa nem outra, porque o mundo político, entre integrantes do próprio Executivo, como o general Mourão, do Legislativo, na figura de destaque do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e a associação entre mídia e observação pública, traduzida na voz de colunistas de peso e editoriais de veículos tradicionais, não permitiu que Bolsonaro fizesse o que queria fazer: botar Bebbiano, de maneira humilhante, para fora do Palácio do Planalto.

Foi didático. O presidente e seu filho Carluxo ficaram isolados diante da maré de solidariedade ao ministro, e tiveram de recuar suas tropas. Nesta posição menos belicosa, espera-se que o presidente acomode-se agora sob pena, como ele percebeu, de perder lastro rapidamente e receber em paga por seus rompantes a ingovernabilidade.