Bolsonaro sente aumento de críticas nas redes sociais e faz “um apelo”; “Calma aí, senão não vai dar certo”; intenção de esvaziar poder de Moro pegou mal; risco de volta do PT mencionado

“Não espere que eu esteja 100% contigo, nem no casamento dá 100%. E aqui tem coisa que a gente destoa. Agora, não potencializem isso. E me critiquem quando eu realmente errar. Se eu errar, desce o cacete. Enquanto está em fase de gestação, discussão, estudo, calma, pessoal, calma aí, senão, não vai dar certo”

Palavras do presidente Jair Bolsonaro, nesta sexta-feira 24, em vídeo feito dentro de um carro, em Nova Délhi, na Índia, com pedido de trégua de críticas, a seus apoiadores, nas redes sociais.

As declarações ocorrem após reações de apoiadores do governo à ideia de recriar o Ministério da Segurança Pública, o que enfraqueceria o ministro da Justiça, Sergio Moro, que atualmente é responsável pela área.

Ele prosseguiu:

“Faço um apelo ao pessoal do Brasil, a gente acompanha o que acontece, apesar de a internet no avião ser muita fraca, é impressionante como as pessoas escrevem coisas da cabeça, assim, sem qualquer fonte, sem qualquer origem, e partem de forma agressiva nos comentários. Calma, pessoal. O povo da Argentina tratou o Macri de forma semelhante. Olha quem voltou para lá, a turma da Kirchner, turma da Dilma, do Lula, turma do Foro de São Paulo”.

Durante a quinta-feira, Bolsonaro foi criticado por apoiadores por ter dito que estudava a recriação do Ministério da Segurança Pública. O presidente rebateu várias dessas reclamações, respondendo a comentários feitos em publicações suas no Facebook. Em muitos desses comentários, Bolsonaro publicou um texto do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, que dizia que a proposta não é de Bolsonaro e pedia que os apoiadores confiem no presidente. A mesma mensagem já havia sido publicada no perfil de Bolsonaro.

Em outros comentários, informa O Globo, Bolsonaro deu respostas diferentes. A uma pessoa, que questionou por que Moro não participou de uma reunião com secretários de Segurança Pública organizada na quarta-feira no Palácio do Planalto, o presidente ironizou: “Quase todo o dia recebo médicos, logo deveria sempre chamar o ministro da saúde, ok?”. A outro apoiador, que reclamou da proposta apresentada pelos secretários de recriar o ministério, Bolsonaro disse receber “dezenas de propostas por mês” e afirmou que “essa foi mais uma”.

O presidente também fez referência à derrota de Macri ao responder a um seguidores que disse para ele não dar “munição” para seus inimigos. “Simples. Está aí a Argentina”, limitou-se a escrever. Bolsonaro ainda mandou “um abraço” a uma pessoa que apontou para outros apoiadores que ele foi eleito sem o apoio de Moro. 

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