Bolsonaro se aposentou aos 48 anos com R$ 30 mil por mês, aponta relator da Previdência: “Não é possível”, diz Samuel Moreira

BR: Veio do lado governista, e da parte do relator da PEC da Previdência na Comissão Especial da Câmara, uma crítica contundente à narrativa do governo a favor da reforma no sistema de aposentadorias.

Em entrevista à rádio Eldorado, o deputado Samuel Moreira afirmou que a reforma tem de ser comunicada à terceira idade, porque não é dirigida aos mais jovens. E criticou a manutenção de privilégios, citando como exemplo negativo o caso do presidente Jair Bolsonaro. Há, de acordo com ele, muitas pessoas que se aposentaram com 48 anos de idade e que ganham mais de R$ 30 mil por mês:

“O presidente atual [Jair Bolsonaro] é uma dessas pessoas”, disse o relator, para quem estas injustiças precisam ser corrigidas. “Não é possível uma pessoa se aposentar ganhando R$ 30 mil por mês”.

Sobre a audiência pública na Comissão Especial, ontem, Moreira disse que o ministro da Economia, Paulo Guedes, conseguiu apaziguar os ânimos. “A reunião foi muito boa”, disse.

O deputado afirmou na entrevista que gostaria que a seguridade social tivesse um orçamento à parte, para que o País volte a contar com uma robustez fiscal e corrigir as injustiças, uma vez que o problema da Previdência é fiscal.

Sobre o cronograma de tramitação da proposta da reforma previdenciária na Câmara, Moreira disse que não há atraso e que a Comissão tem até 15 de junho para tratar do assunto.

Ele reforçou a sua convicção sobre a importância da reforma, que entrega anualmente um déficit de R$ 400 bilhões. Mas ponderou que a reforma não será um fim por si só e que, para o Brasil voltar a crescer, outras medidas terão que ser tomadas.

O deputado evitou se comprometer com a possibilidade de a reforma levar a uma economia de R$ 1 trilhão, conforme tem defendido o ministro Paulo Guedes e se limitou a dizer que se trata de uma “boa meta” e que a Comissão se esforçará para obter um resultado robusto.

Sobre resistência de algumas categorias à reforma, Moreira disse que defende a idade mínima, que ela é importante, mas que não é o principal. De acordo com ele, algumas categorias podem ser diferenciadas.