12/11/2015. Crédito: Minervino Junior/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF. O deputado federal da Câmara dos Deputados, Jair Messias Bolsonaro - PP, durante entrevista em seu gabinete.

“Não tem derrota nenhuma”, diz Bolsonaro sobre Guaidó, avisa que ‘comunicará’ Congresso se decidir entrar em guerra com Venezuela e alerta que gasolina pode subir

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira 1 que que não há derrota do líder da oposição venezuelana e autoproclamado presidente Juan Guaidó. Ontem, Guaidó anunciou que tinha apoio de militares para derrubar o governo de Nicolás Maduro no país e convocou protestos em diversas cidades. Houve confrontos e dezenas de feridos. No entanto, à noite, Maduro apareceu em rede nacional de TV alegando ter contido o que chamou de tentativa de golpe e reforçou o apoio dos comandantes das Forças Armadas ao seu regime. Em conversa com jornalistas ao lado do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, em Brasília, Bolsonaro expressou preocupação com os reflexos da crise venezuelana no Brasil por conta de seus impactos na produção de petróleo e no fornecimento de energia para Roraima. Sem dar detalhes, Bolsonaro citou a prática de reajustes de preços praticada pela Petrobras e afirmou que irá conversar com a estatal para, segundo ele, antecipar problemas. Além do ministro da Defesa, participaram da reunião com o presidente além o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno; e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, além dos comandantes das Forças Armadas. Na saída, o ministro Azevedo e Silva tratou o encontro como “uma avaliação de rotina”. “Em toda situação sensível a gente faz um briefing pela manhã”, declarou. O ministro da Defesa ainda justificou a suplementação de recursos para o auxílio de venezuelanos que estão ingressando no Brasil. “Os recursos previstos para um ano acabaram em março. Então, o Ministério da Defesa fez uma suplementação e ontem saíram os recursos para que a gente prolongue a operação por mais um ano. Nós já interiorizamos cerca de 6.000 venezuelanos. Precisamos acelerar o ritmo.” Ontem, o governo liberou R$ 223,8 milhões para assistência emergencial aos venezuelanos.

BR: O presidente Jair Bolsonaro reuniu na manhã desta quarta-feira 1 o Conselho de Defesa Nacional, para discutir a crise na Venezuela. Ele informou após o encontro que, se decidir pela entrada do Brasil no conflito, o Congresso Nacional será comunicado, e não consultado, como determina a Constituição.

Bolsonaro também alertou para reflexos da crise na Venezuela no preço da gasolina no Brasil, que pode subir. Isso seria uma decorrência da interrupção na produção de petróleo, pelo país vizinho, que elevaria o valor do produto no mercado internacional. Outra consequência negativa da crise, segundo avaliações do Conselho de Defesa, vai se dar em Roraima, onde o governo federal calcula que terá de investir R$ 1 bilhão na ativação de usinas termelétricas. O estado depende de energia gerada na Venezuela, que pode sofrer interrupção se a situação de guerra civil continuar.