Bolsonaro resfria crise com Maia: “Página virada”; PSL fecha questão por Previdência; Senado ganhará tempo para orçamento impositivo; paz em Brasília; mas o que os filhos guerreiros do presidente dirão sobre a paz em Brasília?

BR: A configuração das nuvens mudou mesmo na política em Brasília? Ao que parece, sim, e da noite para o dia. O presidente Jair Bolsonaro deu o tom da reviravolta ao declarar, na manhã desta quinta-feira 28, que é foi “uma chuva de verão” sua rusga com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

“Para mim, isso foi uma chuva de verão. O sol está lindo e o Brasil está acima de nós. Da minha parte não tem problema nenhum. Vamos em frente. Página virada. Um abraço para o Rodrigo Maia. O Brasil está acima de tudo. Vamos em frente. Acontece. É uma chuva de verão. Outros problemas acontecerão com toda a certeza”, declarou Bolsonaro após cerimônia em Brasília pelo aniversário da Justiça Militar da União.

Maia foi convidado, mas não apareceu. Ele alegou que não fora notificado pelo cerimonial da Câmara, apressando-se em garantir que não se tratava de evitar o presidente.

No jogo de cena da política brasiliense, o próprio Maia patrocinou hoje um momento de carinho ao receber em café-da-manhã o ministro Sergio Moro, da Justiça, acompanhado pela líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann. Eles reestabeleceram o bom relacionamento, com garantias de Maia de que o pacote anticrime no ministro não sofrerá boicote na Câmara.

No Senado, a presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Simone Tebet, revelou ao colunista Tales Faria, do portal Uol, que um acordo já está amarrado sobre o projeto do orçamento impositivo, aprovado na Câmara. Para manter as aparências, os senadores estão prontos para votar e aprovar o projeto em plenário na próxima semana, mas a inserção de uma emenda fará com que o texto volte à Câmara. Dessa forma, haverá tempo para o governo fazer novas emendas a tempo de deixar o texto menos hostil à gestão Bolsonaro.

Mais um movimento de pacificação se deu na dividida bancada do PSL. O líder do partido, Delegado Waldir, disse que, após reunião da bancada, também hoje cedo, a legenda fechou questão a favor da PEC da Previdência. Assim, os 54 parlamentares da legenda estão obrigados a votar pela aprovação da proposta do governo, sob pena de pesadas punições.

“Estamos dando a demonstração que acho que o mercado esperava, e que o presidente Rodrigo Maia esperava, de ser o primeiro partido a fechar questão”, afirmou Waldir. “Estamos dando o exemplo”.

Fato a fato, o dia começou com várias bandeiras brancas hasteadas em Brasília. Nenhuma delas, porém, subiu espontaneamente, mas sim sob a pressão do mercado financeiro, que ontem mudou radicalmente de humor e derrubou em quase quatro pontos percentuais o índice Bovespa e subiu outros dois na cotação do dólar. Os políticos se tocaram.

Resta saber o que vai acontecer quando um, dois ou os três filhos do presidente Bolsonaro entrarem em campo para dar pitacos sobre o momento político. Como se sabe, eles não gostam de paz e costumam arrastar o pai para a guerra.