Bolsonaro quebra acordo que trocaria Onyx por Marinho na Casa Civil e desperta fúria do centrão

BR: Há uma forte motivação política na mais recente onda de revolta do centrão com o presidente Jair Bolsonaro. Em meio a uma costura complexa, os líderes dos partidos que somam mais de 200 deputados na Câmara consideraram estar próximos de convencer Bolsonaro a fazer o que eles pediam.

E o que querem é nada menos que a saída do ministro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, para dar lugar ao secretário especial da Previdência, Rogério Marinho.

Reivindicam, ainda, uma troca de guarda na liderança do governo na Câmara. Sairia o titular Major Vitor Hugo, de Goiás, que praticamente a unanimidade dos deputados julga de pequena estatura política para o cargo, e entraria o deputado Aguinaldo Ribeiro, da Paraíba. Ele foi o relator da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça e sua atuação foi considerada bastante técnica e equilibrada pelos chefes do centrão.

Além das trocas nos dois cargos chave para o relacionamento com o Congresso, o centrão também negociava com o Planalto a recriação do Ministério das Cidades, para o qual o grupo já buscava um nome de consenso.

A decisão de Bolsonaro, até o momento, de manter Onyx e Major Vitor Hugo onde eles estão, e a subida no telhado da reforma administrativa, cuja MP pode nem ser votada até o dia 3 de junho, jogaram água fria na fervura da negociação.

E o centrão liberou sua tropa de choque para descer a borduna no governo.

O deputado Paulinho da Força, que vem causando estragos nos planos da equipe econômica para a reforma da Previdência, discursou no sábado para um grupo de sindicalistas, em Santos, garantindo que Bolsonaro não fica no cargo até o final do ano. Cai antes.

É nesse nível a guerra em curso.