Bolsonaro elogia trabalho infantil aos ‘9, 10 anos’: “Não prejudica”

Em transmissão ao vivo em uma rede social ontem à noite, o presidente Jair Bolsonaro defendeu a validade do trabalho infantil, usando o próprio exemplo ao contar que não foi prejudicado por ter colhido milho aos “9, 10 anos” em uma fazenda. Afirmando que “o trabalho dignifica o homem e a mulher, não interessa a idade”, ressaltou, porém, que não apresentaria nenhum projeto de lei sobre a prática porque “seria massacrado”.

Bolsonaro falava sobre sua experiência como pescador, ao lado do secretário nacional de Pesca e Aquicultura, Jorge Seif Júnior, que perguntou se esta fora sua primeira profissão. O presidente recordou, então, a fazenda onde seu pai era peão, em Eldorado Paulista.

— Naquele tempo para você cortar o milho, você não tinha que chegar na plantação e pegar. Tinha que quebrar o milho. Tinha que colocar o saco de estopa no braço. E eu com 9, 10 anos de idade, quebrava milho na plantação e quatro, cinco dias depois, com sol, você ia colher o milho —disse. —Não fui prejudicado em nada. Quando um moleque de 9, 10 anos vai trabalhar em algum lugar, tá cheio de gente aí “trabalho escravo, trabalho infantil”. Agora, quando tá fumando um paralelepípedo de crack, ninguém fala nada.

O presidente continuou dizendo que “trabalho não atrapalha a vida de ninguém” e fez uma ponderação:

—Fiquem tranquilos que eu não vou apresentar nenhum projeto aqui para descriminalizar o trabalho infantil, porque eu seria massacrado. Mas quero dizer que eu, meu irmão mais velho, uma irmã minha também, um pouco mais nova, com essa idade, 8, 9, 10, 12 anos, trabalhava na fazenda. Trabalho duro.

Bolsonaro comentou ainda que aprendeu a dirigir em dois tratores da fazenda com a mesma faixa etária, portanto, ilegalmente. Eque começou a atirar“jovem ”:

—Hoje em dia é tanto direito, tanta proteção, que temos uma juventude aí que tem uma parte considerável que não tá na linha certa. O trabalho dignifica oh omeme a mulher, não interessa a idade.

Na live, que durou 37 minutos, ele não citou a reforma da Previdência.