Ao Fantástico, Mandetta pede fim da “dubiedade” no governo contra coronavírus, prevê pico em maio e junho e lamenta: “País não sabe se ouve o ministro ou o presidente”; demissão esperada para hoje

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, que espera unidade no governo para o combate ao coronavírus. Ele disse que a divisão de estratégias no combate ao vírus gera “dubiedade”. “O presidente olha pelo lado da economia. O Ministério da Saúde entende a economia, mas chama pelo lado de equilíbrio de proteção à vida. Eu espero essa validação dos diferentes modelos de enfrentamento possa ser comum e termos uma fala única, unificada. Porque isso leva para o brasileiro uma dubiedade: ele não sabe se escuta o ministro ou o presidente”, disse Mandetta.

Ontem, em videoconferência com líderes religiosos, o presidente Jair Bolsonaro disse que o vírus “está começando a ir embora”. Horas depois, ao Fantátisco, Mandetta fez uma previsão diferente: “A gente imagina que maio e junho serão os 60 dias mais duros para as cidades”, afirmou. “Dias em que nós seremos… ‘olha, vocês não fizeram o que tinham de fazer, por isso está entrando em colapso’”, completou.

O ministro atribuiu o afrouxamento do isolamento em parte a fake news como a que dizia que a pandemia era “uma invenção de países para ter vantagem econômica”. “As pessoas entrando em padaria, entrando em supermercado, com filas uma atrás da outra, encostadas, isso claramente é um equívoco”, finalizou Mandetta.