Bolsonaro no Chile: “Almoçar com ele hoje é igual comer com Hitler em 1936”, diz comunista; presidente encontra fãs, mas sofre duros protestos

BR: Classificado pela esquerda chilena como “perigo para democracia”, o presidente Jair Bolsonaro foi comparado a Adolf Hitler pela deputada comunista Carmen Hertz. “Hoje em dia, ir a um almoço com Bolsonaro é como ir a um almoço com o Hitler de 1936″, disse ela, mais uma a recusar o convite do presidente Sebástian Piñera para almoçar com o líder brasileiro no Palácio La Moneda, hoje, em Santiago.

Um protesto contra Bolsonaro organizado por partidos de esquerda, liderado pela juventude comunista, terminou ontem no centro da capital chilena sob repressão policial. O presidente está no Chile desde a tarde da quinta-feira 21, para participar da Cúpula Presidencial de Integração Sul-Americana. Ele retorna hoje para Brasília.

O enviado especial da RFI a Santiago, Márcio Resende, registrou que, em caminhada pelo centro comercial Alto Las Condes, Bolsonaro foi requisitado para selfies por simpatizantes e curiosos. Ele também colheu opiniões bastante adversas ao presidente  brasileiro nas manifestações de protesto contra a presença dele no País.

“Bolsonaro é uma pessoa que incita o ódio e, para nós, isso é preocupante”, argumentou Estefany Peñaloza, porta-voz da Frente Ampla de esquerda.

“Bolsonaro é um dos fantoches de Trump”, definiu Arturo Muñoz, 27 anos.

“O neoliberalismo e o fascismo estão ganhando terreno no continente americano. É uma fórmula para nos dividir e Bolsonoro é a peça regional dos Estados Unidos”, afirmou Natasha Rodríguez, de 24 anos.

“A extrema direita está ganhando terreno pela América Latina e isso significa menos direito para as mulheres. Bolsonaro é um representante dos ultra conservadores”, apontou Pamela Ortiz, de 41 anos.

O presidente brasileiro se defendeu, declarando estar acostumado a ter oposição: “No Brasil, também tem meia dúzia de protestos contra mim o tempo todo. É normal”, disse Bolsonaro aos jornalistas que acompanham a viagem. “Se eu fosse xenófobo, machista, misógino e racista, como se justifica eu ter ganho as eleições no Brasil? Mentira. A grande maioria são Fake News”, defendeu-se. “Mas eu sei que eu tenho as minhas falhas”, admitiu.