Bolsonaro barra pacote anticrime, manda Moro dar “uma segurada” e sublinha que auxiliar não tem mais “uma caneta na mão”; clima ruim confirmado entre eles

O presidente Jair Bolsonaro defendeu nesta quinta-feira que o governo não dê prioridade ao pacote anticrime,enviado à Câmara pelo ministroSergio Moro (Justiça), para não causar “turbulência” em meio ao andamento das reformas econômicas. Depois da aprovação da Previdência na Câmara, o texto seguiu para o Senado. Além disso, o Congresso ainda vai analisar no segundo semestre as propostas que preveem mudanças tributárias e no sistema previdenciário dos militares.

No portão do Palácio da Alvorada, Bolsonaro passou uma verdadeira lição em seu ministro:

“Vamos ter que conversar com o Moro. Teve uma reação do Parlamento e você não pode causar turbulência. Lamento, mas ele vai ter que dar uma segurada. Eu não quero pressionar e tumultuar lá (na Câmara). Tantas outras propostas não enviamos para não atrapalhar a Previdência”, afirmou o presidente.

“A gente entende a angústia dele de querer que o projeto vá para frente. Entendo, mas nós temos que combater aí, diminuir o desemprego, fazer o Brasil andar”, disse o presidente.

“O Moro está vindo de um meio em que ele decidia com uma caneta na mão, agora não temos como decidir de forma unilateral e temos que governar o Brasil”, explicou o presidente, ao sair do Palácio da Alvorada, nesta quinta-feira

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O pacote anticrime está sendo analisado em um grupo de trabalho na Câmara , etapa anterior à formação de uma comissão. Os deputados avaliam em conjunto o texto apresentado por Moro e propostas sugeridas pelo ministro Alexandre de Moraes , do Supremo Tribunal Federal (STF),quando ocupava o Ministério da Justiça durante a gestão de Michel Temer.

Moro já sofreu algumas derrotas nesta fase: os parlamentares negaram a possibilidade de estabelecer a prisão após condenação em segunda instância por uma lei ordinária, sem necessidade de mudança constitucional; o instrumento que previa aos investigados em procedimentos criminais declararem culpa antes da abertura do processo, em acordo com o Ministério Público – chamado de “plea bargain” –também foi rejeitado.

O próprio ritmo de andamento do pacote representa um revés para Moro: os deputados estão votando item por item o texto elaborado pelo relator, Capitão Augusto (PL-SP). O parlamentar prevê mais cinco derrotas pela frente.PUBLICIDADE

– Tem que conversar com o Moro, né, teve alguma reação do Parlamento e você não pode causar turbulência. Lamento, mas tem que dar uma segurada. Eu não quero pressionar isso aí (pacote anticrime) e atrapalhar, tumultuar lá (no Congresso). Tantas outras propostas não enviamos para não atrapalhar a Previdência. Quando manda uma proposta para lá, já tem alguns deputados e senadores que passam a ser contra uma proposta minha. É natural, fiquei 28 anos lá dentro. “Olha, se essa proposta for para frente, eu não voto a Previdência”. É o jogo, tem que saber jogar – disse Bolsonaro.

‘Um pouco mais de paciência’

De acordo com o presidente, o ministro da Justiça precisa ser paciente para não atrapalhar outros projetos de interesse do governo:

– Moro está vindo de um meio onde ele decidia com uma caneta na mão. Agora, não temos como decidir de forma unilateral. E temos que governar o Brasil. O que eu sempre falei para todos os ministros? Eu quero que o Brasil dê certo. No que for possível, vamos cuidar de problemas para que deixe de haver problemas daqui para frente. O passado depende da Justiça. Ministro Moro é da Justiça, mas ele não tem poder de… Não julga mais ninguém. Então, temos que… Entendo a angústia dele (Moro) em querer que o projeto dele vá para a frente. Entendo, mas nós temos que diminuir o desemprego, fazer o Brasil andar, abrir o nosso comércio. Sabemos que uma pressão em cima da reforma dele agora atrapalha um pouco a tramitação dessa reforma mãe nossa. Eu tenho falado com ele, (pedindo) um pouco mais de paciência.

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