Bolsonaro esquenta clima para atos golpistas; “TSE arrebentou a corda”, diz, reclamando de corte de pagamento a sites com fake news

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira (24) que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) “arrebentou a corda” ao determinar às empresas que administram redes sociais que suspendam os repasses de dinheiro a páginas investigadas por disseminar fake news.

Bolsonaro também cobrou que o STF (Supremo Tribunal Federal) julgue com imparcialidade as ações que apresentar, como a que pede o veto a instauração de inquérito de ofício na corte, ou seja, sem pedido do Ministério Público.

O presidente disse que se a mesma lógica do TSE para demonetizar canais de fake news for replicada, tribunais regionais “mais simpáticos” a governadores podem até derrubar páginas opositoras ao chefe do governo estadual.

“Ou seja, [o TSE] extrapolou, no meu entender, os limites. Não está arrebentando, arrebentou a corda”, disse Bolsonaro em entrevista gravada ao Canal Rural e divulgada na noite desta terça.

A decisão que atinge páginas bolsonaristas foi tomada pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Luís Felipe Salomão.

“São pessoas que simplesmente defendem, por exemplo, o voto impresso. Ele [Salomão] acha que o voto eletrônico, como é, ele é confiável, então manda desmonetizar”, disse Bolsonaro.

Após citar a ofensiva do TSE, o presidente afirmou, sem dar detalhes, que deve tomar outras medidas “no tocante a isso aí”. Ele disse que o STF dará “péssimo sinal” se não julgar as suas ações.

“Espero que o outro lado julgue essas medidas minhas com imparcialidade. Porque se for simplesmente não julgar, como já aconteceu em dois momentos ações minhas no Supremo Tribunal Federal, ou dizer apenas que não vale o que eu escrevi, tudo que nós escrevemos com a AGU está fundamentado na nossa Constituição, eles estão dando um péssimo sinal para todo o povo brasileiro em especial para mim.”

Bolsonaro apresentou no último dia 19 ação em que pede que seja anulado o artigo do regimento interno da corte que libera a corte a instaurar inquéritos de ofício.