Bolsonaro espuma com volta de Lula, que pode derrotá-lo em 2022; fala em ‘bandalheiras do PT’ e diz que Fachin ‘tem forte ligação’ com o partido; velho discurso em novo cenário

Após o reestabelecimento dos direitos políticos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente Jair Bolsonaro disse que o ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), é ligado ao PT, falou em “bandalheira” dos governos petistas e afirmou que os brasileiros não querem a volta do ex-mandatário ao poder.

As declarações do presidente foram na linha do que assessores palacianos preveem num eventual enfrentamento eleitoral entre Bolsonaro e Lula em 2022: a aposta no antipetismo e na polarização com a esquerda, com destaque para os casos de corrupção que marcaram as administrações petistas.

“As bandalheiras que esse governo [do PT] fez estão claras perante toda a sociedade. Você pode até supor a questão do sítio em Atibaia, do apartamento, mas tem coisa dentro do BNDES que o desvio chegou na casa de meio trilhão de reais, com obras fora do Brasil”, afirmou Bolsonaro ao chegar no Palácio da Alvorada.

As falas foram transmitidas pela rede CNN Brasil.

“Os roubos, desvios na Petrobras foram enormes, na ordem de R$ 2 bilhões que o pessoal na delação premiada devolveu. Então foi uma administração realmente catastrófica do PT no governo”, acrescentou.
“Eu acredito que o povo brasileiro não queira sequer ter um candidato como esse em 2022, muito menos pensar numa possível eleição dele”.1 8

Este é Edson Fachin

Gaúcho de Rondinha (RS), Luiz Edson Fachin nasceu em 8 de fevereiro de 1958. Fez carreira jurídica no Paraná e entrou no Supremo Tribunal Federal em 16 de junho de 2015, indicado pela ex-presidente Dilma Rousseff para preencher a vaga deixada pela aposentadoria de Joaquim Barbosa
O processo para indicação de Fachin, no entanto, foi repleto de turbulências devido seu apoio à eleição de Dilma em 2010 e pela simpatia por bandeiras progressistas, como a reforma agrária. A sabatina que o habilitou para o STF foi considerada uma das mais apertadas
Em fevereiro de 2017, foi sorteado relator da Operação Lava Jato no Supremo, em substituição a Teori Zavascki, que morreu em acidente aéreo no mês anterior. É considerado um ministro de perfil discreto, conciliador e moderado
Uma de suas ações mais conhecidas no STF - e no âmbito da Lava Jato - foi a divulgação da chamada "lista do Fachin". Com base na delação da Odebrecht, o ministro determinou a abertura de inquéritos para investigar oito ministros, 24 senadores e 39 deputados federais, entre outros políticos
Coube a Fachin ainda homologar a delação da JBS, na qual Joesley Batista apresentou gravações do então presidente Michel Temer (MDB) e do senador Aécio Neves (PSDB-MG) que levantam suspeitas de obstrução da Justiça e corrupção passiva - gerando a Operação Patmos
Além de relator da Lava Jato no STF, Fachin também integra o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) desde 2018. Entre outras votações, participou do julgamento do ex-presidente Lula, na qual deu voto favorável à candidatura do petista - no entanto, o tribunal decidiu por vetá-la por 4 votos a 3
Ainda no TSE, apesar de ter votado favoravelmente à candidatura de Lula, Fachin negou recurso do ex-presidente para suspender inelegibilidade
Em uma de suas decisões mais recentes no STF, decidiu levar ao plenário da anulação de sentença da Lava Jato contra Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil

Gaúcho de Rondinha (RS), Luiz Edson Fachin nasceu em 8 de fevereiro de 1958. Fez carreira jurídica no Paraná e entrou no Supremo Tribunal Federal em 16 de junho de 2015, indicado pela ex-presidente Dilma Rousseff para preencher a vaga deixada pela aposentadoria de Joaquim Barbosa Pedro Ladeira – 16.dez.2015/FolhapressLeia Mais VOLTAR

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Ele ressaltou ainda a reação negativa do mercado, com queda da bolsa e alta do dólar, e disse que todos sofrem com a decisão judicial.https://s.dynad.net/stack/928W5r5IndTfocT3VdUV-AB8UVlc0JbnGWyFZsei5gU.html[ x ]

O mandatário também investiu contra Fachin, que expediu a decisão que anulou as condenações de Lula.

“O ministro Fachin sempre teve uma forte ligação com o PT, então não nos estranha uma decisão nesse sentido. Obviamente é uma decisão monocrática, mas vai ter quer passar pela turma, não sei, ou plenário [do STF] para que tenha a devida eficácia”, declarou.

Ele defendeu que os demais ministros da corte revertam a decisão que reabilitou os direitos de Lula. O ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro foi ministro da Justiça e da Segurança Pública do governo Bolsonaro, mas pediu demissão no ano passado acusando o presidente de tentativa de interferência na Polícia Federal.

Fachin foi indicado para o Supremo pela ex-presidente Dilma Rousseff em 2015.

Nesta segunda, o ministro concedeu habeas corpus para declarar a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar quatro processos que envolvem Lula —o do triplex, o do sítio de Atibaia, o de compra de um terreno para o do ex-presidente e o de doações para o mesmo instituto.

Lula está, portanto, com os direitos políticos recuperados e pode se candidatar a presidente em 2022.
Na decisão desta segunda, Fachin argumentou que os delitos imputados ao ex-presidente não correspondem a atos que envolveram diretamente a Petrobras e, por isso, a Justiça Federal de Curitiba não deveria ser a responsável pelo caso.1 14

Apoiadores de Lula comemoram decisão do STF

Projeção a favor do presidente Lula no Vale do Anhangabaú, em São Paulo
Projeção a favor do presidente Lula no Vale do Anhangabaú, em São Paulo
Projeção a favor do presidente Lula na avenida da Consolação, próximo da praça Roosevelt, em São Paulo
Projeção a favor do presidente Lula na avenida da Consolação, próximo da praça Roosevelt, em São Paulo
Apoiadores de Lula durante ato na avenida Paulista, em São Paulo
Apoiadores de Lula durante ato na avenida Paulista, em São Paulo
Fachada do condomínio onde mora Lula, no penúltimo andar
 Apoiadores de Lula em  ato na avenida Paulista, em São Paulo
 Apoiadores de Lula em  ato na avenida Paulista, em São Paulo
 Apoiadores de Lula em  ato na avenida Paulista, em São Paulo
Apoiadores de Lula comemoram na Praça dos Três Poderes,em Brasília, a  decisão do Ministro do STF, que declara a 'nulidade' dos atos decisórios
Apoiadores de Lula comemoram na Praça dos Três Poderes,em Brasília, a  decisão do Ministro do STF, que declara a 'nulidade' dos atos decisórios
Apoiadores de Lula comemoram na Praça dos Três Poderes,em Brasília, a  decisão do Ministro do STF, que declara a 'nulidade' dos atos decisórios
Apoiadores de Lula comemoram na Praça dos Três Poderes,em Brasília, a  decisão do Ministro do STF, que declara a 'nulidade' dos atos decisórios

Projeção a favor do presidente Lula no Vale do Anhangabaú, em São Paulo Eduardo Anizelli/Eduardo AnizelliLeia Mais VOLTAR

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Na prática, ele devolveu os processos envolvendo à estaca zero.

Auxiliares de Bolsonaro destacam reservadamente que a decisão de Fachin —se mantida até o final do próximo ano— estabelece as bases de um processo eleitoral altamente polarizado entre Lula e Bolsonaro.
Conselheiros palacianos opinam que esse cenário tende a sufocar qualquer candidato de centro.

Também dizem que fere de morte a montagem de uma “frente ampla” contra o bolsonarismo.

Alguns aliados avaliam como positivo esse quadro: um postulante de centro no segundo turno poderia reunir apoios de diferentes segmentos, desde da direita desiludida com o estilo radical do mandatário quanto a esquerda.

Mas outros conselheiros pontuam que recolocação de Lula no tabuleiro eleitoral pode deixar Bolsonaro numa situação incômoda.

Se por um lado permitiria ao presidente reeditar um discurso calcado no antipetismo e no medo da volta da esquerda, Lula é visto como um adversário bem mais competitivo do que o ex-candidato a presidente pelo PT em 2018, Fernando Haddad.

Bolsonaro derrotou Haddad em segundo turno, com 55,13% dos votos contra 44,87%.

Além do mais, um Lula bem posicionado nas pesquisas de opinião de primeiro turno poderia atrair para sua coligação partidos de centro que hoje orbitam o Palácio do Planalto.

Por último a rejeição afetaria os dois postulantes. Lula tem o flanco exposto do antipetismo, mas Bolsonaro já não será um candidato de primeira jornada e terá o desgaste de quatro anos no poder, com uma pandemia que paralisou o país e deixou milhares de mortos.