Guerra?!? Mourão é escalado para reunião sobre Venezuela com EUA e mais 12 países

BR:  Adepto do alinhamento à política externa dos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro percebeu nesta quinta-feira 21 o quanto pode custar caro este posicionamento. Um clima de extrema tensão se estabeleceu na fronteira do Brasil com a Venezuela, depois que o governo de Nicolás Maduro enviou tropas, carros e tanques de guerras para se posicionarem na região. Existe um medo de uma guerra comece.

Maduro determinou o fechamento da fronteira do país com o Brasil. Ele teme que, por ordem dos EUA, o governo brasileira ceda tropas para fortalecer um possível ataque americano à Venezuela. O presidente do país vizinho teme que a abertura da fronteira brasileira para a entrada de ajuda humanitária abra um flanco para uma posterior passagem de militares em atitude de combate.

“Decidi que, no sul da Venezuela, a partir das 20h (21h de Brasília) fica fechada completamente a fronteira com o Brasil, até segunda ordem”, disse o presidente após reunião com o alto comando militar em Caracas.

Sobre a Colômbia, Maduro afirmou que avalia uma medida similar e o armazenamento de ajuda humanitária é uma “provocação barata”.

Mais cedo, o deputado opositor venezuelano Américo De Grazia, da Assembleia Nacional, afirmou em sua conta no Twitter que o presidente Nicolás Maduro enviou veículos militares blindados para a cidade de Santa Elena de Uairén, a 12 km da fronteira com o Brasil, para evitar a entrada de ajuda humanitária no país a partir da cidade de Pacaraima, em Roraima.

“O usurpador toma militarmente Santa Elena de Uairén para impedir a entrada de ajuda humanitária para os venezuelanos”, escreveu de Grazia. “No entanto, os povos indígenas Pemones de La Gran Sabana, juntamente com o gabinete do prefeito e os cidadãos, tornarão a solidariedade uma realidade”, completou.

No começo desta semana, o governo brasileiro afirmou que montará uma força-tarefa na fronteira com a Venezuela para ajudar na entrega de ajuda humanitária enviada pelos EUA e em coordenação com a oposição venezuelana.

Nesta quinta-feira, o chanceler Ernesto Araújo se reuniu com o governador de Roraima, Antonio Denarium (PSL), possilvelmente para discutir os detalhes do plano que o governo chamou nesta semana de “aproximação logística de Pacaraima”.

No final da tarde, o porta-voz da Palácio do Planalto, general Rêgo Barros, não respondeu diretamente aos questionamentos de jornalistas sobre a possibilidade de o Brasil participar de um eventual ataque americano. Na véspera, uma fonte do governo brasileiro disse ao jornal O Globo que o “governo está preparado para tudo” nessa situação.

Agência Brasil _ O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, irá para Colômbia na próxima segunda-feira (25) representar o Brasil no Grupo de Lima (que reúne 14 países), em um encontro em Bogotá, comandado pelo presidente colombiano, Iván Duque, e no qual estará presente também o vice-presidente norte-americano, Mike Pence.

Mourão confirmou sua presença na reunião em mensagem postada na conta pessoal no Twitter. Segundo ele, foi designado pelo presidente Jair Bolsonaro para participar da reunião em Bogotá, capital da Colômbia. O porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros, confirmou que o ministro das Relações Exteriores, Eenesto Araújo, participará do encontro no dia 25. 

“Por determinação do presidente @jairbolsonaro estarei na segunda-feira, 25, em Bogotá, na Colômbia, para representar o Brasil na reunião do Grupo de Lima. Discutiremos os desdobramentos da crise na Venezuela, que fechou sua fronteira hoje com nosso país.”

A reunião ocorre poucos dias depois de o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciar o fechamento da fronteira com o Brasil, previsto para ocorrer na noite de hoje (21).

Com a fronteira fechada, aumenta a dificuldade para o repasse de ajuda humanitária, organizada pelo Brasil, que instalou duas centrais de distribuição em Boa Vista e Pacaraima, em Roraima. No entanto, o governador de Roraima, Antonio Denarium, afirmou hoje à Agência Brasil, que busca alternativas para garantir que medicamentos e alimentos cheguem aos venezuelanos. A crise humanitária e o agravamento da situação política e econômica na Venezuela levaram o Brasil e 11 dos 14 países que integram o Grupo de Lima a reconhecer como presidente interino, Juan Guaidó, considerado o governante legítimo.