Bolsonaro e direita empurram PT a fazer o que nunca fez: alianças sem ter protagonismo

Diante do avanço das forças de direita no plano nacional, os partidos de esquerda que fazem oposição ao presidente Jair Bolsonaro planejam alianças inéditas na eleição municipal do ano que vem. Como sinal mais evidente desse movimento, pela

primeira vez, o PT deve apoiar em primeiro turno candidatos do PSOL em disputas importantes.

São dadas como certas adesões dos petistas às candidaturas de Marcelo Freixo, no Rio, e Edmilson Rodrigues, em Belém. O PSOL foi fundado em 2004 por deputados que haviam sido expulsos do PT por se posicionarem de forma crítica ao governo do expresidente Lula.

Freixo deve disputar no ano que vem pela terceira vez a Prefeitura de Rio. Nas duas vezes anteriores, teve os petistas como adversários.

— Está bem encaminhado para apoiar o Freixo, só não digo que há consenso por queno PT não existe consenso. Mas uma ampla maioria caminha nessesentido—afirma Alberto Cantalice, um dos vice-presidentes nacionais do PT.

No Pará, petistas devem apoiar Edmilson Rodrigues, que comandou Belém por duas vezes pelo PT — mas mudou de partido em 2005, após o escândalo do mensalão. Em 2012 e 2016, na nova sigla, teve o PT como adversário no primeiro turno e foi derrotado pelo tucano Zenaldo Coutinho.

O PT ainda prevê aliança em torno de Manuela D’Ávila (PCdoB) em Porto Alegre. Manuela já tentou se eleger na capital gaúcha em 2008 e 2012, quando teve candidatos do PT como adversários.

Partidos de esquerda também costuram alianças em Belo Horizonte e Florianópolis. Nas duas cidades, já houve reunião entre representantes do PT, PSOL e PCdoB.

Esse grupo, porém, enfrenta problemas na maior cidade do país. Nem mesmo o PT, que já governou São Paulo por três vezes, tem um nome forte para disputa local. Em agosto, o partido começa os debates para chegar a um nome considerado competitivo na cidade.