Bolsonaro diz a enviados de Biden que Trump foi vítima de fraude eleitoral; delegação americana estupefata

Os enviados do presidente Joe Biden chegaram a Brasília na última quinta-feira em busca de uma relação pragmática com o governo do presidente Jair Bolsonaro e saíram espantados. Em reunião realizada na manhã de quinta (5) no Palácio do Planalto, Bolsonaro expressou à missão americana que mantém firme sua convicção de que o ex-presidente americano Donald Trump foi vítima de uma fraude eleitoral.

As palavras de Bolsonaro causaram estupor na delegação chefiada pelo conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, que incluiu, também, o diretor sênior do Conselho de Segurança Nacional para o Hemisfério Ocidental, Juan Gonzalez, e o funcionário sênior do Departamento de Estado para o Hemisfério Ocidental Ricardo Zúñiga, que, segundo as fontes, será a pessoa encarregada da relação com o Brasil.

Somente na noite de sexta, quando a missão americana encerrava sua visita à Argentina, a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília divulgou uma nota na qual informa que “sobre a questão das eleições brasileiras, a delegação afirmou ter grande confiança na capacidade das instituições brasileiras de realizar uma eleição justa em 2022. Também ressaltou a importância de preservar a confiança no processo eleitoral que tem longa história de legitimidade no Brasil”.

O comunicado foi uma resposta aos ataques públicos de Bolsonaro à urna eletrônica, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à posição adotada pelo presidente na reunião de quinta no Planalto. A preservação da democracia no Brasil é uma preocupação de congressistas americanos do Partido Democrata e da diplomacia dos EUA.’

O presidente brasileiro não mudou uma vírgula sua adesão às falsas denúncias de Trump de fraude nas eleições americanas de 2020 e fez questão de deixar isso claro aos enviados de Biden. Bolsonaro disse aos funcionários da Casa Branca que o governo deles é resultado de uma fraude.

No começo de janeiro, horas após o Congresso americano oficializar a vitória de Biden como presidente dos EUA, Bolsonaro insistiu em apoiar a tese da fraude, até hoje defendida por Trump e seus seguidores. Na época, o presidente brasileiro afirmou, ainda, que o Brasil “terá um problema pior que os EUA se não houver voto impresso nas eleições de 2022”.

Sete meses depois, Bolsonaro continua pensando as mesmas coisas e não escondeu isso da delegação americana. Se a missão chegou a Brasília com uma atitude positiva e uma agenda de temas comuns para serem trabalhados em conjunto, saiu com ceticismo sobre a possibilidade de interagir com o governo Bolsonaro.