Brazilian deputy Jair Bolsonaro looks on during a press conference he called to announce his intention to run for the Brazilian presidency in the October 2018 presidential election, at a hotel in Rio de Janeiro on August 10, 2017. A controversial politician and former army paratrooper, Bolsonaro called himself the "patriot" Brazil needs, adding he is the answer to Brazil's rampant corruption, crime and economic malaise. He won more votes than any other congressman from Rio de Janeiro state in the last general elections in 2014 and polls currently show him tied in second place for the presidency, behind leftist former two term president Luiz Inacio Lula da Silva. / AFP PHOTO / Apu Gomes (Photo credit should read APU GOMES/AFP/Getty Images)

Bolsonaro decide com seu alto escalão se quer mais guerra ou mais paz com o Congresso; Guedes pede trégua; militares reclamam de ‘guru’

O presidente Jair Bolsonaro tem encontro marcado hoje pela manhã com seu alto comando no Planalto: os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Augusto Heleno (GSI), Santos Cruz (Secretaria de Governo) e Paulo Guedes (Economia). Ele ouvirá do ministro Onyx uma avaliação das dificuldades para a aprovação da reforma da Previdência no Congresso e das resistências, principalmente entre os aliados do presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

O ministro Paulo Guedes, segundo seus assessores, pretende insistir com o presidente que aprovação da reforma da Previdência não é uma bobagem inventada pelos economistas. Segundo ele, dela depende o futuro do governo. E não haverá reforma sem aprovação do Congresso. Será, na prática, um recado (e uma reafirmação) de que ele próprio, Paulo Guedes, não teria mais como permanecer no governo se a reforma não andar. Mas que ele está disposto a pacificar os ânimos entre Maia e o Planalto. Cabe a Bolsonaro ajudar a pôr um fim na encrenca.

Já os generais Santos Cruz e Heleno darão o recado dos militares: não é aceitável que alguém como Olavo de Carvalho xingue publicamente não só o general vice-presidente, mas toda a categoria. Esse clima também não ajuda à reforma. E não cabe ao governo, em meio a esses xingamentos, prestigiar o guru dos filhos do presidente. Santos Cruz mostrou publicamente seu descontentamento na entrevista publicada hoje pela Folha, em que chamou Olavo de Carvalho de desequilibrado. Anote-se: o general é um amigo antigo de Bolsonaro. Há quase quarenta anos. É das poucas pessoas no governo capazes de repreender o presidente nas conversas pessoais.  Da mesma forma, Augusto Heleno é apontado como “um mestre” pelo presidente da República. Mas é outro que anda irritado com os desacertos dentro do governo.

Os militares também estão preocupados com as articulações da reforma da Previdência. Temem que o projeto de reestruturação da carreira seja usado como boi de piranha: lançado ao Congresso para os parlamentares derrubarem em troca da aprovação da reforma da Previdência. Ninguém, no entanto, espere que Paulo Guedes e os generais coloquem mais lenha na fogueira por agora. A hora é de aguardar pelos movimentos do presidente. Ver se Bolsonaro está disposto a reorientar sua atuação e a dos filhos. Por enquanto, a aposta de economistas e militares no governo é de que os fatos e o mundo real se imporão sobre tuítes e o mundo virtual do bolsonarismo radical. fff