Bolsonarismo raiz vê Nunes como “de esquerda” e Bolsonaro, “traidor”; nome ligado ao centrão para o STF atacado por direita radical

A ala mais conservadora do eleitorado do presidente Jair Bolsonaro segue protestando contra a indicação de Kassio Marques para o Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com os apoiadores do presidente, o desembargador seria “de esquerda”. A escolha, que teve a benção do Centrão, desagradou diversas alas do governo, como militares e evangélicos.

Um jantar reunindo Bolsonaro e Marques na casa do ministro do STF, Dias Toffoli, na noite deste sábado (3) voltou a despertar a ira de parte do eleitorado nas redes sociais. Ex-presidente do Supremo, Toffoli é uma das figuras mais criticadas pelo bolsonarismo, por conta de seu passado como advogado do PT e advogado-geral da União durante o governo Lula.

Uma foto que mostra um abraço entre Toffoli e Bolsonaro viralizou nas redes sociais e inspirou o hashtag “#BolsonaroTraidor”, que já uma das mais utilizadas no Twitter neste domingo. Nas postagens, pessoas que se dizem apoiadores do presidente se dizem decepcionados com a aproximação do capitão da reserva com o Supremo e o Congresso e com a falta de apoio à Operação Lava Jato.

Presidente já havia sido chamado de “petista”

O movimento Vem Pra Rua, que apoiou Bolsonaro nas eleições em 2018, impulsionou, na última sexta-feira (2), a hashtag #BolsonaroPetista por meio de um vídeo que lamenta a escolha e acusa o mandatário de tomar decisões que lembram os governos do PT. Horas depois da divulgação desse conteúdo, a hashtag alcançou o primeiro lugar entre os assuntos mais comentados no Twitter.

Na mesma linha, também se manifestaram contrários à decisão o líder, Paulo Ganime (NOVO-RJ), e vice-líder, Marcel van Hattem (NOVO-RS), do partido Novo, na Câmara. O deputado federal Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), ligado à igreja evangélica Assembleia de Deus, disse que o presidente desperdiçou metade de suas decisões voltadas ao Judiciário em seu mandato. Em 2021, Bolsonaro terá nova vaga aberta no STF para indicar um novo ministro após a saída de Marco Aurélio Mello.