Bolsa deve ter sexta-feira tensa com Bolsonaro sem previsão de alta e indefinição sobre início de reforma da Previdência

Após dois dias seguidos de recuos no Ibovespa, o mercado financeiro deve iniciar esta sexta-feira 8 em clima de apreensão. Com o presidente Jair Bolsonaro tendo registrado ontem episódios de febre e diagnosticado com pneumonia bacteriana, não há previsão de alta em sua internação no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Ele não pode, assim, ‘bater o martelo’, na expressão do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre qual das diferentes minutas de reforma será encaminhada ao Congresso. A indefinição gera atraso no início da tramitação.

Além do impedimento temporário de Bolsonaro, crescem no noticiário político as informações sobre desencontros entre os parlamentares que apoiam o governo no Congresso. A apresentação, pelo ministro Sergio Moro, do pacote anticrime, no início da semana, acrescentou mais um elemento de dispersão no foco da reforma da Previdência.

Filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro defendeu que o pacote anticrime seja apresentado à Câmara antes da reforma, como meio de servir de teste à força governista na Casa. No Palácio do Planalto, no entanto, há o receio de que essa estratégia, em caso de dificuldades na aprovação do pacote, reduza a disposição para aprovar mudanças na Previdência Social.

No Ministério da Economia, fontes vazaram ontem o descontentamento da equipe econômica com a iniciativa de Moro, vista como um forte elemento de dispersão em relação à prioridade para a Previdência. Relatório da agência de classificação de risco S&P, por outro lado, registrou que, até agora, apesar do capital político amealhado pela vitória eleitoral, não há “nenhuma certeza” de que Bolsonaro aprovará seu projeto mais importante de reforma.

Abaixo, notícia da Agência Brasil sobre o estado de saúde ontem do presidente Bolsonaro

Agência Brasil   O presidente Jair Bolsonaro teve febre de aproximadamente 38 graus Celsius, na noite de ontem (6), e o exame de imagem realizado mostrou quadro de pneumonia, de acordo com boletim médico divulgado nesta tarde pelo Hospital Israelita Albert Einstein. O presidente permanece internado na unidade semi-intensiva.Logo após o porta-voz da Presidência, Otavio do Rêgo Barros, ter informado o estado de saúde do presidente, Bolsonaro foi ao Twitter dizer que estava bem. “Estamos muito tranquilos, bem e seguimos firmes”, disse o presidente, encerrando o texto com sinal de positivo.

Depois do episódio isolado de febre sem outros sintomas associados, Bolsonaro “foi submetido à tomografia de tórax e abdome que evidenciou boa evolução do quadro intestinal e imagem compatível com pneumonia”, conforme o boletim.

Foram realizados exames para identificação de bactéria ou vírus. “Eles fizeram os exames tanto viral quanto bacteriano e descartaram o viral. Então trata-se de uma questão bacteriana”, disse o porta-voz.

Tratamento

A equipe médica aumentou o tratamento com antibióticos de amplo espectro, acrescentando nova medicação. “Os médicos acharam por bem acrescentar à antibioticoterapia um novo componente, uma nova droga, de forma que esse espectro possa ser ainda maior”, disse Rêgo Barros.

O tratamento com antibióticos começou na noite do último domingo (3), após elevação da temperatura e aumento dos leucócitos nos exames laboratoriais na ocasião, o que poderia indicar um processo infeccioso.

Bolsonaro continua sem dor, com sonda nasogástrica e dreno no abdome para retirada de líquidos, e segue recebendo água por via oral em associação à nutrição parenteral.

Hoje ele realizou exercícios respiratórios e caminhou no corredor. Segundo o porta-voz, Bolsonaro está com dificuldades para dormir, a equipe médica avalia possibilidade “de auxiliá-lo para que ele durma um pouco mais”.

Telefone

Por ordem médica, as visitas permanecem restritas. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, esteve na capital paulista hoje, mas não visitou o presidente devido à restrição. Bolsonaro falou hoje por telefone com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobre assuntos da pasta. Ele deve conversar, ainda hoje, com o ministro da Economia, Paulo Guedes, de acordo com Barros.

Em relação à reforma da Previdência, o porta-voz disse que o presidente vai analisar todas as linhas de ação e decidir, junto com o ministro da Economia, os parâmetros da proposta que será enviada ao Congresso.