Bettina, a beldade de R$ 1 milhão, pode causar multa de R$ 50 milhões da CVM à Empiricus, além de fim da empresa; vale a pena enganar o público?

Sob o título ‘Lorota lucrativa’, a revista Veja tem uma notícia esclarecedora na edição que circula a partir desta sexta-feira 22. O texto trata da propaganda da empresa de análise de investimentos Empiricus que virou fenômeno no YouTube graças a ‘uma papagaiada mentirosa’, na expressão da revista, da agora famosa Bettina Rudolph.

Em vídeo que teve mais de 20 milhões de acessos, ela, que é funcionária da Empiricus, dizia ter começado a investir aos 19 anos, com 1 520 reais, e três anos depois ter mais de 1 milhão. “Eu comprei ações na Bolsa”, explicou. A propaganda rendeu à Empiricus 1,1 milhão de pedidos de cadastramento. O problema é que Bettina não contou tudo. Ela economiza todos os meses metade do seu salário e 100% dos bônus anuais que recebe no emprego, além de ter ganho 35 000 reais do pai, que também pagava suas contas.

“Tanto no Japão quanto nos Estados Unidos, um caso como esse seria passível, no mínimo, de revogação da licença da empresa”, afirma Alexandre Kawakami, advogado especialista em mercado de capitais. “A CVM pode aplicar diversas penas pelo descumprimento de suas normas, que vão de simples advertências a multas de até 50 milhões de reais”, explica Otavio Yazbek, ex-diretor da CVM. O fundador da Empiricus, Felipe Miranda, já foi suspenso pela Apimec pela propagação de publicidade enganosa. Em vez de corrigir seu comportamento, ele mudou o objeto social da companhia, que passou a ser uma “empresa de comunicação”. Com a alteração, entrou com liminar para dar baixa em seu registro na CVM, e assim ficar livre da fiscalização do órgão. Hoje, a Empiricus tem 350 mil assinantes. A mudança de razão social foi considerada pela Justiça como uma manobra para burlar a fiscalização, mas ainda não há decisão final. Enquanto as autoridades seguirem ignorando o caso, Miranda continuará enriquecendo, mesmo que não invista 1 real em ações, conclui o texto.