Barrado por sistema de governança do Banco do Brasil, Figueiredo é deslocado para caminho mais fácil no Conselho da Caixa

BR: O sistema de governança do Banco do Brasil realizou um prodígio: barrou a indicação do dono da Mauá Capital e ex-diretor do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, para a presidência do Conselho de Administração da instituição.

Não satisfeito, porém, o ministro Paulo Guedes, da Economia, insiste no nome de Figueiredo, mas agora em outra praia. Ele está indicado para presidir o Conselho de Administração da Caixa, onde as regras de governança são mais suaves.

O economista Hélio Magalhães, que havia sido indicado para o posto na CEF, passa a ser o nome escolhido para presidir o Conselho do BB. Também oriundo do mercado financeiro, Magalhães, neste momento, não faz parte de nenhuma instituição privada, o que deve possibilitar a aprovação de seu nome pelo filtro do Corem, o Conselho de Remuneração do Banco do Brasil.

Quanto a Figueiredo, os mesmos conflitos de interesses entre suas funções de banqueiro privado e presidente de conselho de administração de banco público continuam a existir. No caso da Caixa, até mais do que no Banco do Brasil. A CEF deverá participar ativamente do processo de privatizações planejado pelo governo, controlando informações estratégicas de interesse de todo o mercado. Ocorre, no entanto, que os mecanismos de controle interno para o acesso a cargos são considerados menos rígidos do que os do BB, o que leva a crer que a indicação de Figueiredo, finalmente, vai vingar.

A inusitada troca de posições foi comentada pelo próprio Figueiredo, que já se tornava alvo de protestos de funcionários do Banco do Brasil, que o apontaram como ‘agente do desmonte’ da instituição.

“Para que não paire nenhuma dúvida sobre o processo, o governo nos pediu a troca na presidência dos conselhos, o que foi feito em comum acordo entre nós”, explicou Figueiredo.  

Tão simples assim…