Até quando Bolsonaro será paz e amor? Temperatura política baixou com presidente humilde e de boca fechada, mas ser respeitoso não faz parte do DNA do presidente

BR: Os termômetros de Brasília inverteram a disparada de alta desde a prisão de ex-faz tudo do clã Bolsonaro Fabrício Queiroz, no dia 18, em Atibaia, na casa do advogado Frederick Wassef. De imediato, o presidente Jair Bolsonaro calou a boca. Suspendeu as paradas na portaria do Palácio da Alvorada para disparar diatribes frente a fanáticos e, pela força das circunstâncias, pediu “paz” nas relações institucionais, em ato ao lado do presidente do STF, Dias Toffoli. Pronto! A febre da crise institucional foi embora. Poucos dias depois de participar de atos antidemocráticos que não juntavam 2 mil carinhos, beber leite à moda nazista em live e proferir o insuperável ‘acabou, porra!’, batendo as mãozinhas nas pernas, tudo mudou. Bolsonaro virou uma pessoa civilizada. Dá para acreditar?

A essa pergunta junta-se outra. Até quando o presidente que fez toda a sua carreira no ataque, achincalhando, diminuindo e desconsiderando seus adversários reais e fantasmagóricos, como, por exemplo, Lula e o comunismo ateu, vai se aguentar. A mantê-lo de boca fechada e até concretizando um ato administrativo saudável, como a indicação de um ministro de perfil técnico para o Ministério da Educação, paira no ar o cheiro do famoso ‘acordão’. Ajustadas em parte as contas pelas agressões ao STF, e com o recuo ou prisão, no caso da filonazista Sara Winter e sua trupe, das tropas do capitão, Bolsonaro teve a boa notícia de que seu filho escapou das garras da 1ª instância no Rio de Janeiro para recair sobre uma, espera-se confortável, turma especial do Tribunal de Justiça local. As chances de o caso voltar para a estaca zero, tirando toda a pressão sobre o papai e seu filhão, são altas.

Virar paz e amor costuma dar certo. Lula assumiu o figurino em sua quinta campanha, venceu e liderou oito anos formidáveis. Quando a, digamos, não tão empática Dilma Roussef pegou o comando, especialmente no fatídico segundo mandato, o lema já era passado. Bolsonaro sempre foi sua antítese. Para ele é armar a população, perseguir as minorias, tentar golpe de estado, como abertamente tentou nas semanas anteriores à prisão do homem que foi um dos maiores protagonistas do seu passado.

Não há nem nunca houve um traço sequer de paz e amor no perfil político de Bolsonaro. A pergunta que não quer calar é até quando ele vai conseguir controlar a si mesmo?