Até Fiesp critica aprovação de MP que privatiza Eletrobras; custo de R$ 300 bilhões em ‘jabutis’ nos próximos anos; conta de luz ainda mais cara

Ex-secretário de Desestatizações e Privatizações do governo Jair Bolsonaro, o empresário Salim Mattar disse ontem que o texto sobre a privatização da Eletrobras aprovado pelo Congresso é “oneroso e aleijado”, mas é melhor do que nada. Mattar deixou o governo em agosto de 2020, insatisfeito com o ritmo das privatizações no governo ao qual aderiu a convite do ministro da Economia, Paulo Guedes.

“Infelizmente a Câmara e o Senado descaracterizaram a proposta original enviada pelo governo e a transformaram num projeto oneroso e aleijado”, disse, em publicação em uma rede social. “Mas antes isso do que nada”, concluiu. Apesar das críticas sobre os altos custos dos jabutis incluídos pelo Congresso no texto original, membros do governo foram às redes sociais comemorar a aprovação. “Governo fazendo história e voando na economia”, afirmou o ministro das Comunicações, Fábio Faria. Derrotada em sua proposta de liberalização do mercado, a Fiesp reforçou críticas sobre a possibilidade de aumento na conta de luz, estimando um custo adicional de R$ 300 bilhões nos próximos anos.

A emenda do Senado estabelecia um cronograma para que todos os brasileiros pudessem, até 2026, escolher seu fornecedor. Era criticada por distribuidoras de energia e por especialistas, por atropelar a reforma do setor em debate no Congresso. Para a Fiesp, a medida amenizaria os custos adicionais impostos pela MP. “Apenas com liberdade de escolha e competição por preço, os consumidores colherão algum efeito positivo deste processo de capitalização da Eletrobras”, disse a entidade.