Aposta na recessão; BC tira dinheiro da economia ao subir depósito compulsório dos bancos; R$ 42 bilhões a menos para empréstimos

BC (Banco Central) eleva a partir desta 2ª feira (22.nov.2021) a alíquota para o depósito compulsório. Subirá de 17% para 20%. Esse percentual havia sido reduzido (de 25% para 17%) em março de 2020 por causa da pandemia.

A volta da taxa de 20% representa a retirada de circulação de R$ 42 bilhões, que serão enviados ao BC. Ou seja, o dinheiro não poderá ser mais utilizado pelos bancos para empréstimos a empresas e pessoas físicas.

Mas haverá exceções. Os bancos que depositarem ativos com acesso às Linhas Financeiras de Liquidez poderão manter o percentual de 17%.

Segundo a autoridade monetária, desde o início da crise, R$ 330 bilhões foram injetados na economia com a redução do depósito compulsório a prazo (dinheiro que fica com o BC e é remunerado pela Selic, a taxa básica de juros). Esse foi uma forma de estimular o crescimento da economia em meio à pandemia.

No final do mês passado, o volume de recolhimentos compulsórios atingiu R$ 439 bilhões. A maior parte do dinheiro correspondente às aplicações em depósitos a prazo (R$ 223 bilhões). Em seguida, encaixe de Poupança (R$ 154 bilhões) e, por fim, recursos à vista (R$ 62 bilhões).

O infográfico elaborado pelo Poder36o (abaixo) mostra a evolução das principais modalidades nos últimos meses. É possível ver que no início da pandemia, em março de 2020, houve uma queda no volume de depósitos. Depois, o nível voltou a subir, mas está abaixo do patamar pré-covid.

Menos dinheiro, mais juros

Video: Bitcoin registra queda de 20% após bater recordes de valorização (Dailymotion)https://www.dailymotion.com/embed/video/x85pnuh?api=postMessage&autoplay=1&id=9ect7sjf&muted=1&origin=https%3A%2F%2Fwww.msn.com&queue-enable=falseReprodutor de vídeo de: Dailymotion (Política de Privacidade)

A mudança no compulsório é mais uma forma de o BC retirar liquidez do mercado. Essa é uma tendência natural. Diversos bancos centrais anunciaram a redução das medidas de incentivo lançadas no início da covid.

O ex-diretor do BC Carlos Thadeu de Freitas Gomes disse ao Poder360 que, ao elevar o compulsório, a autoridade monetária abre espaço para uma alta da taxa de juros ao consumidor. Motivo: os bancos terão menos dinheiro e serão mais seletivos para emprestar.

Para o ex-diretor do BC, a medida terá pouco efeito no controle da inflação. Segundo ele, os preços são pressionados mais fortemente pelo lado da oferta. Logo, o aumento dos compulsórios não deve ajudar muito.

O economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, disse que o volume a ser devolvido ao mercado não lhe parece expressivo.

Gabriel Leal de Barros, economista-chefe da RPS Capital, avalia que a subida da alíquota dos compulsórios a prazo de 17% para 20% não eleva tanto a taxa de juros para o consumidor, pois o aumento do risco nos últimos meses já fez com que os bancos sejam mais cautelosos nas concessões de crédito.