Após ser baleado, Cid Gomes deixa UTI; tensão política em alta

O senador Cid Gomes (PDT-CE) deixou a UTI do Hospital do Coração de Sobral, no interior do Ceará, informou o boletim divulgado pela unidade na manhã desta quinta-feira (20). Cid recebeu alta para a enfermaria, onde seguirá internado. O quadro de saúde do político “evoluiu sem intercorrência nas últimas horas, mantendo-se hemodinamicamente estável e com padrão respiratório normal”.

Cid foi baleado ontem (19) em Sobral, no interior do Ceará, durante um protesto de policiais militares, enquanto dirigia uma retroescavadeira para tentar furar o bloqueio dos agentes que protestam contra a proposta de reestruturação salarial feita pelo governo. O caso provocou uma troca de farpas entre um dos filhos do presidente Jair Bolsonaro e o irmão do senador, Ciro Gomes. Em sua conta na rede social, o deputado federal Eduardo Bolsonaro disse que Cid teve uma “atitude insensata” ao tentar invadir o batalhão da PM. “[Ele] Tenta invadir o batalhão com uma retroescavadeira e é alvejado com um projétil de borracha. É inacreditável que um Senador da República lance mão de uma atitude insensata como essa, expondo militares e familiares a um risco desnecessário em um momento já delicado”, escreveu.

A declaração, no entanto, foi rebatida pelo ex-candidato à Presidência Ciro Gomes. “Deputado Eduardo Bolsonaro, será necessário que nos matem mesmo antes de permitirmos que milícias controlem o Estado do Ceará como os canalhas de sua família fizeram com o Rio de Janeiro”. Eduardo, por sua vez, retrucou o comentário do pedetista, ressaltando que “nem 4 horas que o irmão foi alvejado após tentar atropelar dezenas de policiais, mulheres e crianças com uma retroescavadeira, e o coroné já usa o caso para fazer política. Talvez porque, a essa altura, só assim consegue ter relevância. Patético”.

A polêmica também contou com a manifestação do vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, que afirmou que “o que mata não são armas de fogo legais, mas a pessoa que está disposta a cometer o crime, seja com que ferramenta for”. “Democraticamente estou desarmado, mas vou passar com um trator em cima de você. Aceite, ou senão é ditadura!”, acrescentou. Após o episódio envolvendo o senador, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, atendeu o pedido do governador do estado, Camilo Santana, e autorizou o envio da Força Nacional de Segurança Pública ao Ceará. No documento, Moro disse ter recebido informações “sobre movimento paredista da polícia do estado” e um pedido para enviar a “Força Nacional de Segurança Pública para colaborar com as forças de seguranças estaduais na garantia da lei e da ordem”.