Apagão na Argentina e Uruguai se tornou argumento da oposição contra Macri

Um gigantesco apagão, inédito, atingiu a Argentina e o Uruguai, afetando mais de 40 milhões de pessoas. A falta de energia começou às 7h da manhã, mas à noite ainda havia regiões argentinas sem luz. A poucos meses das eleições, a oposição aproveitou para atacar o presidente Macri.

Argentina e Uruguai enfrentaram um apagão maciço ontem, deixando mais de 40 milhões de pessoas sem energia elétrica. Segundo autoridades argentinas, o problema começou às7h07m( horário local) com“uma falha maciça no sistema de interconexão” com a usina hidrelétrica binacional de Yaciretá, na fronteira com o Paraguai, que teve algumas áreas afetadas. O incidente, a poucos meses da eleição presidencial na Argentina, acabou virando tema da campanha.

O presidente Mauricio

Macri disse no Twitter que o problema foi “sem precedentes” e prometeu uma investigação completa sobre as causas. Já o secretário de Energia, Gustavo Lopetegui, afirmou que falhas no sistema são comuns, mas que desta vez houve um encadeamento de acontecimentos incomuns que levaram ao apagão.

—Não há razões para que (o apagão) tenha acontecido, mas aconteceu, eé algo muito grave—disse Lope tegui, explicando que a desconexão do sistema é automática, quando há um problema, para evitar danos maiores. — É muito fora do comum o que aconteceu, mas é preciso ser prudente e não nos aventurarmos em hipóteses.

BRASIL ESCAPOU DE EFEITOS

A Argentina, com seus 44 milhões de habitantes, e o Uruguai, com 3,4 milhões, compartilham um sistema elétrico interconectado centrado na represa binacional de Salto Grande, localizada cerca de 450km ao norte de Buenos Aires e aproximadamente 500km de Montevidéu. De noite, a energia elétrica já tinha sido restaurada em 90% da Argentina e quase todo o Uruguai. Um porta-voz do Operador Nacional do Sistema (ONS) disse à agência Reuters que o Brasil não sofreu reflexos do apagão.

Em Buenos Aires, o domingo chuvoso contribuiu para deixar as ruas ainda mais vazias durante o apagão. Alguns supermercados e lojas funcionavam graças ageradores. A Argentina comemorou o seu Dia dos Pais ontem, e os restaurantes da capital esperavam grande movimento.

—Acidade está um desastre. Não há sinais de trânsito. As lojas não estão abertas. Estragou o Dia dos Pais — reclamou a aposentada Liliana Comis, de 75 anos, moradora de Buenos Aires.

Algumas províncias argentinas —Santa Fé, San Luis, Formosa e Terra do Fogo — também elegeram governadores ontem, e as votações foram mantidas. E o apagão entrou firme na campanha para as eleições de outubro. O governo Ma cr ijá teve deli darcom a pior se caem 50 anos, uma desvalorização demais de 300% do peso, e continua às voltas coma sexta taxa de inflação mais alta do mundo, na região abaixo apenas da venezuelana. Agora, um superapagão.

O episódio aconteceu em momentos em que a Casa Rosada promove o potencial da jazida de Vaca Muerta, na província de Neuquén, pela qual a Argentina é considerada o segundo país do mundo com mais recursos gasíferos e o quarto em petróleo não convencional. Esse mesmo país ficou às escuras, ampliando a lista de dores de cabeça para um presidente que pretende reeleger-se em outubro.

Nas redes sociais, os comentários irônicos e críticas ao governo se multiplicaram. E como era esperado, o kirchnerismo não perdeu tempo e rapidamente foi às redes culpar Macri e atacar um dos lemas de campanha do macrismo: “Se Cristina voltar ao poder a Argentina se transformará na Venezuela”. O pré-candidato à Presidência Alberto Fernández, companheiro de chapa da senadora e ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), foi o encarregado dedara alfinetada :“Subi ramas tarifas tanto como seus amigos pediram e geraram o maior apagão da História. NãoéV ene zuela. É Argentina. Já chegou a hora de perceber isso”, escreveu Fernández no Twitter.

VÍDEO ANTI-MACRI

Na mesma mensagem, o précandidato presidencial do kirchnerismo postou um vídeo no qual Macri afirma que “se nós não tivéssemos aumentado as tarifas (subsidiadas pelo kirchnerismo), teríamos ficado aumpass od evirara Venezuela ”. O chamado tari faço foi uma das primeiras medidas aplicadas pelo presidente após vencer as eleições de 2015, com o argumento de que o sistema herdado de Cristina era insustentável.

De fato, muitos analistas concordam em que a Argentina não podia continuar bancando tarifas muito abaixo da média regional. Alguns reajustes superaram 400%, incluindo energia elétrica e gás. Foi um duro golpe ao bolso dos argentinos, sobretudo da classe média urbana, setor onde Macri, mostraram recentes pesquisas, perdeu muitos votos.

Macri pode ter dificuldade para explicara estes eleitores que estão em dúvida sobre voltara apostar noma crismo que Vaca Mu er tas erá a soluçãodo futuro. E também que a política energética e tarifária atual tem lógica e resolverá os problemas que, segundo o governo, são responsabilidade do kirchnerismo.