“Ao contrário de FHC, não sou nem cínico nem materialista”, dispara Araújo sobre tucano que defende “tradições inúteis” na diplomacia

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, publicou ontem em seu blog artigo em que ataca o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por declarações sobre a crise na Venezuela. O chanceler afirma que FHC defende “tradições inúteis de retórica vazia” e tem desprezo pelo povo brasileiro e por seus eleitores de direita.

Araújo, em sua publicação, diz que o Brasil guiou os Estados Unidos em decisões tomadas em relação ao país, e não o contrário. O chanceler volta a atacar o ex-presidente dizendo que ele usa “o mais surrado dos artifícios retóricos” ao criar “uma falsa dicotomia” entre consenso e intervenção armada.

Ao contrário de FHC, eu acredito na diplomacia, porque acredito na força da palavra e do espírito humano para mudar a realidade, porque não sou cínico nem materialista, porque acredito no povo brasileiro, esse povo dos ‘grotões’ que FHC abertamente desprezava (assim como desprezava e despreza os eleitores de direita que o fizeram presidente duas vezes)“, publicou.

O chanceler também criticou o ex-ministro Rubens Ricupero, afirmando que recebeu o agradecimento dos venezuelanos quando visitou as fronteiras do país com a Colômbia e o Brasil e abraçou o autodeclarado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, “enquanto Rubens Ricupero e Fernando Henrique Cardoso escreviam seus artigos espezinhando aquilo que não conhecem, defendendo suas tradições inúteis de retórica vazia e desídia cúmplice“.

Eu abracei Juan Guaidó, esse líder destemido que, sob risco de vida, corporifica o sonho de uma nova Venezuela, vi os índios pemones que viajaram até Brasília, grande parte do trajeto a pé, e saudaram Guaidó em frente ao Itamaraty, e entoaram 1 cântico por seus parentes massacrados por Maduro –tudo isso enquanto Rubens Ricúpero e Fernando Henrique Cardoso escreviam seus artigos espezinhando aquilo que não conhecem, defendendo suas tradições inúteis de retórica vazia e desídia cúmplice“, escreveu.