Ameaçada de morte e com problemas de saúde, Damares avisa a Bolsonaro que deixará o governo; publicamente, diz que fica

BR: Publicamente, a ministra Damares Alves, da Família e dos Direitos Humanos, informa: “Não pretendo sair do governo”, escreveu ela nesta sexta-feira 3. Nos bastidores, porém, ela se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro e avisou que vai deixar a pasta, agastada por problemas de saúde e, também, ameaças de morte. A revelação está na edição que circula hoje da revista Veja. Ao pedir demissão, que não foi aceita por Bolsonaro, Damares aceitou ficar no cargo, no máximo, até dezembro.

Em despacho, após fazer um balanço das atividades de sua pasta, ela disse ao presidente que está cansada e que precisa cuidar da saúde, que anda debilitada. Há um outro ingrediente em torno do posicionamento: Damares recebe ameaças de morte. Com isso, ela abandonou sua residência em Brasília para passar a viver num hotel, cujo endereço é sigilo. Por recomendação do Gabinete de Segurança Institucional, Damares não costuma antecipar sua agenda e circula com um segurança, que fica postado na entrada de sua sala durante todo o expediente.

Ao presidente, Damares informou que deixará o ministério apenas quando tiver concluído a revisão dos principais programas da pasta. Com hipotireoidismo e asma, além de sofrer de enxaqueca crônica, a ministra explicou ao presidente que não tem mais condições físicas e emocionais para suportar os afazer do cargo por mais tempo. O presidente desdenhou: “Você vai sair, mas daqui a quatro anos”. Damares respondeu que ficará no cargo, no máximo, até dezembro deste ano.

Em dezembro do ano passado, Damares começou a sofrer ataques no site de um grupo que se autointitulava Sociedade Secreta Silvestre. A PF e a Abin detectaram as ameaças e recomendaram à ministra para que mudasse de endereço e de rotina, mas as ameaças na cessão. Na véspera da posse, o grupo ameaçador reivindicou a tentativa de atentado à uma igreja evangélica próxima de Brasília, com uma bomba que não explodiu por problemas técnicos. Entre as ameaças à ministra estão a de machucá-la e envenená-la. O mesmo grupo também ameaçou Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. A polícia chegou a prender três suspeitos, que foram soltos por falta de provas.

Segundo o Datafolha, Damares é uma das ministras mais populares do governo, atrás apenas de Sergio Moro e Paulo Guedes.