Alcolumbre: “Se o governo não tiver a sua agenda, e parece que não tem, vamos fazer a nossa”

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que o modelo instituído por Jair Bolsonaro para se relacionar com o Congresso “não está funcionando” e tem atrapalhado o andamento de pautas defendidas pelo próprio governo. “O governo precisa se aproximar da política, é impossível as coisas acontecerem no País sem política”, declarou Alcolumbre, em entrevista à GloboNews na noite desta quarta-feira.

O senador disse que falta “reciprocidade” na relação com o governo, afirmando que deputados e senadores têm demonstrado uma “vontade gigante de ajudar” e feito “gestos todo dia”. Ele cobrou que o governo retribua as ações e deixe de lado a postura de se afastar da política, defendendo que esse discurso já deveria ter sido superado com o fim da eleição. “Se tivesse mais política (por parte do governo), teríamos votado o crédito suplementar hoje (quarta)”, alertou.

Ao comentar a declaração do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de que o governo Bolsonaro ainda não tem uma agenda para o País, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que o Congresso não ficará de braços cruzados. “Se o governo não tiver sua agenda – e parece que não tem -, vamos fazer a nossa, não vamos ficar esperando”, disse, em entrevista à GloboNews nesta quarta-feira.

Alcolumbre afimou que a cobrança dessa agenda tem recaído sobre o Congresso, citando as críticas que parlamentares têm sofrido nas redes sociais e nos recentes movimentos de rua. Para o presidente do Senado, as pessoas estão “criminalizando a política” e atacando um “Congresso que foi eleito com a mesma legitimidade do que Bolsonaro”.

Embora tenha demonstrado insatisfação com as tensões entre governo e Congresso, Alcolumbre defendeu que este não é o melhor momento para se discutir a eventual instituição do parlamentarismo no Brasil. Para o presidente do Senado, debater isso agora transmitiria a mensagem negativa de que o Parlamento está tentando se impor sobre o presidente Jair Bolsonaro.