‘Agenda genocida’ de Witzel é denunciada à ONU; governador estava em helicóptero que atirou em tenda de orações

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), foi denunciado à Organização das Nações Unidas (ONU) pela Comissão de Direitos Humanos da Alerj e pela deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) pelo que consideram uma “agenda genocida” do governador.

Witzel estava no helicóptero da Polícia Militar de onde saiu uma rajada de dez tiros que atingiu uma tenda de orações, em Angra dos Reis, no último sábado. Frequentado por moradores de uma comunidade da região, o local estava vazio quando foi atingido pelos tiros.

Em documentos enviados nesta terça-feira, 7, ao organismo internacional, a deputada Renata Souza (PSOL), presidente da comissão da Alerj, e a deputada federal Talíria Petrone destacaram que ações policiais no estado do Rio de Janeiro atingiram um nível recorde de mortes nos três primeiros meses do ano.

A deputada Renata Souza também encaminhou ofício à Organização dos Estados Americanos (OEA). De acordo com a parlamentar, Wilson Witzel lidera pessoalmente uma política de massacre. Renata ressaltou que as 434 mortes em ações no período citado estão diretamente ligadas à permissividade do governador do Rio de Janeiro.

O texto encaminhado pela deputada diz ainda que a política de segurança pública do governador “está cada vez mais militarizada, com o uso de drones, helicópteros e carros blindados, além da técnica de snipers”.

“Um governante não pode naturalizar o número de mortes e contar como se fosse sucesso de uma operação”, ressalta Renata Souza, que disse ainda que “as falas do governador não são só polêmicas, elas são irresponsáveis. Witzel não se apresenta como um estadista, um mediador de conflitos. As falas dele mostram que não há política pública no Rio para redução de homicídios. Ele promove o contrário”.

A denúncia enviada à ONU também destaca as imagens divulgadas pelo próprio governador em suas redes sociais no último final de semana durante a sua participação em uma ação policial de helicóptero em Angra dos Reis.

Após a operação, Wilson Witzel se hospedou com a família em um hotel de luxo na região que cobra entre R$ 1,6 mil a R$ 5,5 mil a diária. O governador afirmou que pagou suas despesas pessoais e que “o hotel fez a cessão da hospedagem” para que a sua família “ali pudesse ficar naquele final de semana”.